Uma bactéria encontrada em solos áridos do Ceará acaba de se transformar em uma poderosa aliada da agricultura brasileira. Ela é o ingrediente principal do Hydratus, uma nova tecnologia desenvolvida pela Embrapa Milho e Sorgo (MG) em parceria com a empresa Bioma, criada para ajudar as lavouras a enfrentarem períodos de seca — e até melhorar o desempenho de plantações irrigadas.
O produto é feito a partir da bactéria Bacillus subtilis, capaz de proteger as plantas em condições de escassez de água e estimular o crescimento das raízes. Em testes de campo, o Hydratus mostrou resultados animadores: aumento médio de 7,7 sacas de milho e 4,8 sacas de soja por hectare em áreas comerciais.
>
Uma tecnologia com DNA brasileiro
O diferencial do Hydratus está na combinação entre a alta concentração de células da bactéria e uma formulação inovadora com agentes que garantem a sobrevivência do microrganismo no solo — prolongando também a vida útil do produto.
O inoculante foi desenvolvido ao longo de anos de pesquisa e já tem registro no Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) para uso em lavouras de soja. Outras culturas também estão em fase de teste.
>
Lançamento no Congresso da Andav
O Hydratus será apresentado oficialmente durante o Congresso da Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (Andav), que acontece de 5 a 7 de agosto, no Transamérica ExpoCenter, em São Paulo. O evento reúne especialistas e lideranças do agronegócio de todo o país.
>
Da Caatinga para o campo
A história do Hydratus começou em 2017, quando pesquisadores da Embrapa decidiram explorar a biodiversidade brasileira em busca de microrganismos capazes de ajudar as plantas a enfrentar a seca. Amostras de solo foram coletadas em regiões áridas do Ceará e, entre 414 estirpes bacterianas isoladas, uma delas se destacou: a Bacillus subtilis 1A11.
Essa bactéria produz exopolissacarídeos (EPS) — compostos que formam uma camada protetora em torno das células, reduzindo a perda de água e ajudando as plantas a resistirem ao estresse hídrico. Nos experimentos, ela também se mostrou eficiente em estimular o crescimento das raízes e a fotossíntese, além de aumentar a biomassa das plantas.
O sequenciamento genético confirmou seu potencial: genes associados à tolerância à seca, ao estresse oxidativo e à promoção do crescimento vegetal. A partir daí, a Embrapa firmou uma parceria com a Bioma para transformar a descoberta científica em um produto comercial.
>
Inovação em tempos de mudança climática
A tecnologia chega em um momento crucial para a agricultura. As mudanças climáticas têm tornado as chuvas mais irregulares e aumentado a frequência de secas, o que impacta diretamente a produtividade das lavouras.
“Com um olhar atento ao estresse hídrico, o Hydratus promete otimizar a produtividade e tornar a agricultura mais sustentável”, destaca Alexandre Ferreira da Silva, chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa Milho e Sorgo.
Já Artur Soares, diretor de pesquisa da Bioma, lembra que o produto “aumenta a eficácia do uso da água na propriedade”, tornando-se uma ferramenta estratégica para agricultores que enfrentam os desafios climáticos.
>
Fonte: Embrapa







