Um subproduto pouco valorizado da cadeia do caju pode ganhar protagonismo no mercado de alimentos funcionais. Pesquisadores da Embrapa desenvolveram um análogo a queijo simbiótico a partir da amêndoa da castanha-de-caju, mostrando como inovação, sustentabilidade e saúde podem caminhar juntas — e gerar valor onde antes havia desperdício.
O ponto de partida é um desafio conhecido pela indústria cajuína: durante o processamento, até 40% das amêndoas se quebram. Apesar de manterem um perfil nutricional rico em proteínas e ácidos graxos importantes para a saúde, esses fragmentos acabam tendo valor comercial bem menor do que as amêndoas inteiras.
A pesquisa propõe justamente mudar essa lógica. As amêndoas quebradas, hoje subutilizadas, passam a ser a base de um novo alimento funcional, pensado para atender um consumidor cada vez mais atento à origem dos ingredientes, ao impacto ambiental e aos benefícios à saúde.
O produto desenvolvido pela Embrapa é classificado como simbiótico, por combinar prebióticos e probióticos — compostos que contribuem para a saúde intestinal e o equilíbrio da microbiota. Na prática, isso significa ir além da nutrição básica e entregar uma experiência alinhada à crescente demanda por alimentos que unem sabor, funcionalidade e bem-estar.
Os testes sensoriais realizados com consumidores indicaram boa aceitação, reforçando o potencial do produto não apenas do ponto de vista nutricional, mas também de mercado. Para o foodservice e a indústria de alimentos, esse tipo de inovação abre espaço para novas aplicações em cardápios, linhas plant-based e produtos voltados ao consumo consciente.
Mais do que um novo derivado da castanha de caju, a iniciativa se insere em um movimento mais amplo de valorização de matérias-primas brasileiras com potencial global. A amêndoa de caju já vem sendo explorada em bebidas vegetais e outros produtos, e agora ganha mais uma possibilidade de uso com apelo funcional.
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Fonte: Campo Grande News







