A marca Pita Bread, controlada pelo grupo Farina, negocia a aquisição da Tá Pronto!, linha de tortilhas que hoje pertence à Wickbold. A movimentação faz parte das exigências impostas pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para liberar a fusão entre a Bimbo Brasil e a Wickbold, concluída em setembro de 2025.
Segundo informações apuradas pelo InvestNews, a operação já foi submetida ao Cade, mas o fechamento do negócio e a definição do valor ainda dependem do aval da autarquia. A Pita Bread desponta como compradora natural do ativo: atualmente, a empresa já é responsável pela produção da maior parte das tortilhas comercializadas sob a marca Tá Pronto!.
No documento apresentado ao Cade, o grupo Farina afirma que a aquisição representa uma oportunidade de explorar os ativos da Tá Pronto! de forma independente e integral. Procuradas, Bimbo Brasil e Farina não comentaram as negociações.
A venda da marca de tortilhas foi uma das principais condições estabelecidas pelo órgão antitruste para aprovar a compra da Wickbold pela Bimbo, que já detém a Rap10 — líder do mercado e concorrente direta da Tá Pronto!. Na avaliação do Cade, a manutenção das duas marcas sob o mesmo controle resultaria em concentração excessiva na categoria.
Além das tortilhas, o pacote de remédios concorrenciais inclui a alienação da marca Nutrella, voltada a pães especiais. À época da aprovação, o CEO da Bimbo, Alfonso “Poncho” Argudin, afirmou que já havia interesse de outras empresas do setor, destacando a força da marca no mercado brasileiro.
O prazo estabelecido pelo Cade para a venda dos ativos é de até seis meses após a aprovação da fusão, o que leva o limite para março de 2026. As alienações podem ocorrer de forma separada, o que abriu espaço para negociações paralelas.
Mesmo com os desinvestimentos, a Bimbo consolidou sua liderança no mercado brasileiro de panificação. Com a incorporação da Wickbold, o grupo passou a deter pouco menos de 40% de participação, bem à frente da segunda colocada, a Lua Nova (Panco), com cerca de 20%. A expectativa da companhia é de um crescimento de aproximadamente 60% no faturamento com a operação combinada, impulsionado principalmente por ganhos de escala e eficiência logística.
O movimento acontece em um contexto de expansão do mercado. Em 2024, o faturamento dos pães industrializados cresceu 8,3%, alcançando R$ 15,5 bilhões, segundo dados da Abimapi. O segmento de bolos industrializados também avançou, refletindo a demanda por produtos de maior valor agregado.
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Fonte: Internews







