Depois de um ano de crescimento acima da média — com US$ 50 milhões em receita e presença em mais de 15 mil pontos de venda — a Trubar, conhecida por suas barras veganas de proteína, caminha para um novo capítulo: a volta ao controle privado.
A empresa, listada na TSX Venture Exchange, firmou um acordo para ser adquirida pela Eti Gıda, um dos maiores grupos de bens de consumo da Turquia. A operação está avaliada em cerca de C$ 201 milhões (US$ 143 milhões) e prevê a compra de todas as ações ordinárias da Trubar pela companhia turca.
A transação será feita integralmente em dinheiro e deve ser concluída no primeiro trimestre de 2026. Cada ação renderá C$ 1,26 aos acionistas. Após as aprovações regulatórias e dos investidores, a Trubar deixará a bolsa.
Para Erica Groussman, fundadora e CEO da marca, a estrutura e a experiência da Eti Gıda criam as condições ideais para acelerar a expansão da Trubar na América do Norte e abrir caminho para novos mercados internacionais.
“Estamos muito entusiasmados com a aquisição e com esse novo momento”, afirmou. “Tenho muito orgulho do que nossa equipe construiu e da relevância que a Trubar conquistou no mercado de barras proteicas.”
Barras com rótulo limpo ganham espaço na era do GLP-1
Criada em 2018, em Vancouver, a Trubar nasceu com uma proposta clara: oferecer barras proteicas com ingredientes mais simples e transparentes, voltadas a consumidores que buscam praticidade sem abrir mão de um rótulo limpo.
Toda a linha é plant-based e livre de laticínios, soja, glúten, álcoois de açúcar e óleos de semente — ingredientes que vêm sendo cada vez mais questionados nos EUA. O debate ganhou força após declarações de Robert F. Kennedy Jr., atual secretário de saúde do país, que critica esse tipo de gordura e defende o consumo de gorduras saturadas de origem animal.
As barras combinam fibra de tapioca e mandioca, proteínas de arroz integral e ervilha, açúcar de cana orgânico, óleo de palma certificado pela RSPO, lecitina de girassol, castanhas e outros ingredientes naturais. São 12 sabores, com 12 g de proteína e 12 g de fibra por unidade de 50 g. Em 2025, a empresa também lançou uma linha voltada ao público infantil.
Após operar de forma independente por três anos, Groussman vendeu a marca para a Simply Better Brands, mantendo menos de 10% de participação, mas continuando à frente da operação como CEO. Com o novo suporte institucional, a Trubar acelerou seu crescimento — a ponto de a Simply Better Brands adotar oficialmente o nome Trubar no início de 2025.
Hoje, a empresa comercializa mais de 50 milhões de barras por ano, em um contexto em que o consumidor americano tem buscado produtos ricos em proteína e fibra, movimento impulsionado, entre outros fatores, pela popularização dos medicamentos à base de GLP-1.
A marca está presente tanto em lojas independentes quanto em grandes redes como Target e Walmart e também vem explorando colaborações no universo do entretenimento, como a parceria com a Universal para o lançamento de barras temáticas inspiradas no filme Wicked Good.
Consolidação avança no mercado de proteínas alternativas
Os resultados financeiros acompanham esse ritmo. Depois de encerrar 2024 com US$ 50 milhões em receita, a Trubar já havia ultrapassado US$ 49 milhões nos primeiros nove meses de 2025, com redução de 61% nas perdas em relação ao mesmo período do ano anterior.
A expectativa é alcançar US$ 100 milhões em faturamento anual em 2026. A entrada da Eti Gıda tende a reforçar esse movimento. O grupo turco opera nove fábricas, emprega cerca de 7 mil pessoas e administra um portfólio de 300 linhas de produtos, distribuídos em 45 marcas. Em 2024, registrou US$ 1,3 bilhão em vendas.
“Consideramos a Eti Gıda o parceiro ideal para o momento atual da Trubar, especialmente pelo histórico da empresa em escalar marcas de consumo ao longo de seis décadas”, afirmou Kingsley Ward, chairman da Trubar. “O acordo reforça nosso compromisso em gerar valor consistente para os acionistas.”
A aquisição se soma a uma onda mais ampla de consolidação no setor de proteínas alternativas, que enfrenta retração em vendas e investimentos, especialmente nos EUA. Nos últimos 14 meses, mais de 50 empresas do segmento foram adquiridas, entraram em insolvência ou encerraram suas operações.
Somente neste mês, a Caulipower foi comprada pela Urban Farmer, subsidiária da Paine Schwartz Partners, enquanto a Miyoko’s Creamery saiu da liquidação após ser adquirida pela Prosperity Organic Foods, dona da Melt Organic. Já a TiNDLE Foods optou por retirar seus produtos do mercado americano para concentrar sua estratégia em marcas próprias na Europa.
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Fonte: Vegan Business







