POSICIONAMENTO ABIA
A ABIA reconhece a legitimidade do debate sobre a modernização da jornada de trabalho e a importância de promover qualidade de vida aos trabalhadores. Defende, no entanto, que mudanças dessa magnitude sejam conduzidas com base técnica, transição responsável e respeito às diferenças setoriais, para evitar impactos negativos sobre emprego, renda e custo de vida.
Em setores essenciais, como a indústria de alimentos e bebidas — intensiva em mão de obra e com operação contínua — alterações lineares podem elevar custos e pressionar preços. Estimativas indicam que a redução para 36 horas semanais, com manutenção salarial, pode gerar impacto adicional da ordem de R$ 23 bilhões nos custos diretos de trabalho no setor.
É importante lembrar que mais de 70% da população economicamente ativa brasileira recebe até dois salários-mínimos e compromete cerca de um terço da renda com alimentação. Alterações que pressionem custos e desorganizem cadeias produtivas de bens essenciais tendem a afetar diretamente o acesso aos alimentos e a segurança alimentar, penalizando de forma mais intensa as famílias de menor renda.
Para a ABIA, o debate não deve opor qualidade de vida e atividade econômica. É possível avançar em ambos, desde que o emprego formal seja preservado e as mudanças sejam construídas com diálogo, previsibilidade e análise de impacto.
Fonte: assessoria







