Uma possível mudança no regime de trabalho 6×1 — em que o funcionário trabalha seis dias e folga um — pode aumentar os custos da indústria brasileira de alimentos e bebidas em cerca de R$ 23 bilhões, segundo estimativa da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia).
De acordo com João Dornellas, presidente-executivo da entidade, o impacto seria inevitavelmente repassado ao consumidor final. “Esse valor vai ser repassado para o produto final”, afirmou.
A discussão sobre a revisão da escala 6×1 tem ganhado espaço no debate público e no Congresso Nacional. Caso haja mudanças na legislação trabalhista, empresas do setor teriam de reorganizar jornadas e ampliar equipes para manter o nível de produção, o que elevaria despesas operacionais.
Para a indústria de alimentos e bebidas — um dos maiores empregadores do país — qualquer alteração na dinâmica de trabalho tende a ter impacto direto na estrutura de custos. O setor opera com margens pressionadas e grande dependência de mão de obra em áreas como produção, logística e distribuição.
Segundo a Abia, além do aumento nos gastos com contratação e folha de pagamento, as empresas também poderiam enfrentar custos adicionais com horas extras e ajustes operacionais nas plantas industriais.
A entidade acompanha o debate e alerta que mudanças dessa magnitude podem ter efeitos em toda a cadeia de abastecimento, chegando ao consumidor por meio do preço dos alimentos e bebidas.
O tema também é acompanhado de perto por empresas do foodservice e do varejo alimentar, segmentos que dependem de operações contínuas e equipes numerosas para manter o funcionamento diário.
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Fonte: Valor Econômico







