A Ambev, dona de marcas como Skol, Brahma e Budweiser, enfrenta um momento de forte pressão no mercado. A XP Investimentos rebaixou a recomendação de suas ações para venda, projetando uma queda de até 12% no valor dos papéis nos próximos 12 meses.
Queda no consumo e mudança de hábitos
O grande desafio da companhia não está apenas no curto prazo, com custos em alta e clima menos favorável às vendas. Há sinais de mudanças mais profundas nos padrões de consumo. O uso crescente de medicamentos à base de GLP-1 (como Ozempic), que reduzem o apetite e o consumo de álcool, aliado à maior preocupação da geração Z com saúde e bem-estar, acende um alerta para o setor.
O movimento de rejeição ao álcool lembra, ainda que em outra escala, o que aconteceu com a indústria do tabaco, que viu o consumo despencar entre os mais jovens.
O avanço da cerveja sem álcool
O Brasil já é o segundo maior mercado global de cervejas zero álcool, atrás apenas da Alemanha. Nos últimos cinco anos, as vendas passaram de 140 milhões para 702 milhões de litros. A Ambev acompanha essa tendência com marcas como Brahma 0.0, Bud Zero e Corona Zero.
Ainda assim, segundo os analistas, o crescimento desse segmento não compensa a retração da indústria como um todo.
Competição e margens apertadas
Além da mudança de hábitos, a Ambev precisa lidar com a concorrência acirrada da Heineken, que ampliou sua capacidade produtiva e vem adotando uma estratégia mais agressiva em volume e preços.
Somam-se a isso os custos crescentes de insumos como milho, trigo e alumínio, o que deve pressionar as margens da companhia ao longo de 2025 e 2026.
O que observar
O relatório da XP destaca que o “pior cenário” para a Ambev seria ver suas marcas passarem por uma desvalorização estrutural, caso as tendências de consumo se consolidem. Embora álcool e tabaco sejam indústrias distintas, o paralelo com o setor de cigarros mostra o risco de perda de relevância de categorias tradicionais diante de novos comportamentos.
Para o foodservice, essa análise reforça um ponto central: o consumidor brasileiro está mudando rapidamente. Restaurantes, bares e redes de alimentação precisarão acompanhar essa transição, oferecendo alternativas que dialoguem com a busca por bem-estar, moderação e novas experiências de consumo.
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Fonte: Exame Insight







