A Barry Callebaut, maior fabricante de chocolates a granel do mundo, anunciou Hein Schumacher, ex-CEO da Unilever, como seu novo CEO em um momento particularmente delicado para a companhia. A mudança acontece após um período marcado por preços recordes do cacau, pressão de custos e queda relevante nos volumes de moagem.
Schumacher assume o comando em 26 de janeiro, sucedendo Peter Feld, que deixa a empresa em busca de novas oportunidades. Com a nomeação, ele se torna o terceiro CEO da Barry Callebaut em menos de cinco anos — um dado que chama a atenção do mercado e reforça o desafio de estabilizar a operação em um cenário global adverso.
Durante sua gestão, Feld promoveu uma reestruturação importante, priorizando a fabricação de chocolates de maior margem em detrimento da moagem de cacau, mais exposta à volatilidade dos preços da commodity. Ainda assim, os volumes de moagem caíram quase 10% no primeiro trimestre do ano fiscal, resultado pior do que o esperado por analistas.
Para o mercado, a troca no comando já era aguardada. Analistas apontavam desgaste na confiança da liderança anterior ao longo do último ano. A chegada de Schumacher foi vista como um sinal forte, refletindo positivamente nas ações da companhia, que chegaram a subir quase 8% na bolsa de Zurique, apesar de ainda acumularem queda superior a 40% em relação ao pico de 2021.
Os desafios seguem relevantes. A divisão de cacau registrou retração de 22% no volume de vendas no trimestre encerrado em novembro, reflexo da demanda mais fraca e da estratégia de priorizar segmentos de maior retorno. Esse cenário contribuiu, inclusive, para a recente queda dos preços do cacau em Nova York, que atingiram o menor nível em dois anos.
Apesar das especulações levantadas no fim de 2025, a empresa descarta, por ora, a venda do negócio de cacau. A estratégia segue baseada na integração entre cacau e chocolate, vista pela companhia como uma vantagem competitiva de longo prazo.
A escolha de Schumacher também chama atenção por seu histórico recente. À frente da Unilever entre 2023 e 2025, o executivo promoveu uma guinada mais pragmática, reduzindo o peso de compromissos ESG para reforçar a rentabilidade — movimento que pode indicar uma abordagem semelhante na Barry Callebaut, agora pressionada a recuperar crescimento e melhorar sua estrutura financeira.







