O Ministério da Agricultura anunciou a suspensão imediata e temporária das importações de amêndoas de cacau da Costa do Marfim. A medida, publicada no Diário Oficial da União, tem como objetivo mitigar riscos fitossanitários e garantir a rastreabilidade das cargas destinadas ao Brasil.
Segundo o governo, a decisão considera o intenso fluxo de grãos provenientes de países vizinhos que abastecem a Costa do Marfim. Esse cenário pode abrir espaço para a chamada “triangulação” de cargas — quando produtos de diferentes origens são misturados — dificultando o controle sobre a procedência das amêndoas importadas. Como o país africano é o maior produtor mundial de cacau, qualquer fragilidade nos controles sanitários ganha relevância estratégica.
Em 2025, o Brasil importou 112,85 mil toneladas de cacau e derivados, sendo 41,6 mil toneladas originadas da Costa do Marfim, de acordo com dados do Ministério da Agricultura. As secretarias de Comércio e Relações Internacionais e de Defesa Agropecuária foram acionadas para apurar possíveis inconsistências na origem das cargas.
Impactos para a indústria
A Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (Aipc) informou que acompanha o tema com atenção. Empresas como Cargill, Barry Callebaut e Ofi aguardam esclarecimentos sobre os mecanismos de rastreabilidade e as garantias de controle sanitário.
O cenário ocorre em um momento de retração no processamento nacional. A moagem de cacau no Brasil somou 195.882 toneladas em 2025, uma queda de 14,6% em relação ao ano anterior, influenciada principalmente pela alta nos custos da matéria-prima.
A suspensão permanecerá em vigor até que a Costa do Marfim apresente garantias formais sobre a origem das amêndoas exportadas ao Brasil.
Nova análise de risco
De acordo com a Federação da Agricultura e Pecuária da Bahia (Faeb), a decisão se baseia em uma nova análise de risco fitossanitário conduzida por missão técnica brasileira no país africano entre 1º e 14 de fevereiro. O relatório completo deve ser divulgado nos próximos dias.
A Faeb e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) já haviam levado preocupações relacionadas à sanidade vegetal ao Ministério da Agricultura em novembro, solicitando a revisão da Análise de Risco de Pragas (ARP). Para representantes do setor, a medida demonstra o funcionamento dos protocolos de defesa agropecuária com base técnica.
Para o foodservice, que sente diretamente os efeitos das oscilações no mercado de cacau — seja via custo do chocolate, seja na reformulação de cardápios — o tema merece acompanhamento atento. No Portal Foodbiz, seguimos monitorando os desdobramentos e seus impactos na cadeia.







