FoodBiz

BRB vira sócio de restaurantes e shoppings após receber ativos ligados ao Master

O BRB (Banco de Brasília) passou a integrar, ainda que de forma indireta, o quadro societário de fundos que administram mais de 100 restaurantes e quatro shoppings centers espalhados pelo país. O movimento é consequência das fraudes atribuídas ao Banco Master e ocorreu como forma de compensação pelos prejuízos sofridos pelo banco estatal após a compra de títulos considerados fraudulentos.

Para mitigar as perdas, o Banco Master transferiu ao BRB ativos com valor de mercado, operação realizada no ano passado. A atual gestão do banco, presidida por Nelson Antonio de Souza, avalia agora a possibilidade de negociar parte desses ativos. Entre eles, estão empreendimentos consolidados nos setores de alimentação fora do lar e varejo, segmentos que seguem no radar de investidores e analistas, como mostra o acompanhamento contínuo do Portal Foodbiz.

Um dos ativos recebidos está vinculado ao fundo Strelitzia, administrado, entre outros, pela Reag Trust Administradora de Recursos — empresa citada nas investigações envolvendo o caso Master. O fundo é sócio do grupo Alife Nino, um dos maiores conglomerados de bares e restaurantes do Brasil.

O Alife Nino reúne 14 marcas e mais de 70 operações em 11 estados, com nomes conhecidos como Nino, Peppino, Irajá Redux, Boteco Rainha, Boteco Boa Praça e Eu Tu Eles. O grupo figura entre os dez maiores do foodservice nacional e, em 2023, ampliou sua presença ao adquirir a rede Drumattos por R$ 198 milhões, incluindo as marcas Camarada Camarão e Camarão & Cia. À frente do grupo está Pedro Silveira, ex-CEO da XP Internacional e ex-CFO do Corinthians.

Em outra operação semelhante, o BRB também se tornou cotista do fundo Macam, passando a ter participação indireta em quatro shoppings localizados no Distrito Federal, Paraná, Goiás e Espírito Santo. No total, o banco possui participação em pelo menos oito fundos de investimento com algum grau de ligação com operações investigadas no caso Master, o que o tornou sócio de ativos com perfis diversos — desde empreendimentos considerados saudáveis até ativos vistos como mais problemáticos.

O repasse dos ativos avaliados como financeiramente sólidos teve início em julho do ano passado e não consta no último balanço patrimonial divulgado pelo BRB, referente a junho. Em nota, o banco informou que acompanha as apurações conduzidas pelo Banco Central e que segue priorizando ações voltadas ao fortalecimento da liquidez, à redução de riscos e à otimização de capital.

A instituição também afirmou que as operações relacionadas à Operação Compliance Zero estão sendo analisadas em investigação independente conduzida pelo escritório Machado Meyer, com apoio técnico da Kroll, e reforçou seu compromisso com elevados padrões de integridade e cooperação com as autoridades.


.
Conteúdo Correio Braziliense adaptado para o Portal Foodbiz

Compartilhar