Os preços do café devem permanecer pressionados até pelo menos o segundo semestre de 2026. A projeção é de Cristina Scocchia, CEO da Illycaffe, que afirma que a torrefadora italiana irá ajustar valores “em todos os países e canais” já a partir de janeiro.
O cenário reflete uma combinação de fatores: custos elevados do café verde, colheitas mais fracas nos últimos meses e um movimento lento de repasse ao consumidor final.
Tarifas dos EUA e impacto no mercado brasileiro
Mesmo com o alívio recente das tarifas americanas sobre o café brasileiro — medida ampliada pelo presidente Donald Trump — os valores continuam acima da média histórica. O pico registrado no mês passado ocorreu quando a redução da oferta coincidiu com tarifas aplicadas ao Brasil, maior exportador global.
Segundo Scocchia, ainda há pouco espaço para absorção interna de custos: “Existe um limite para o quanto uma empresa consegue segurar o preço do café verde”, comentou em entrevista à Bloomberg.
Repasses devem continuar ao longo de 2025 e 2026
Para analistas do mercado, como Carlos Mera, do Rabobank, os consumidores ainda não viram todo o impacto do aumento das commodities. Ele explica que os repasses no varejo podem levar meses para se consolidar — e, em alguns casos, mais de um ano.
A Illy estima que os grãos não torrados só devem se estabilizar entre US$ 2,80 e US$ 3 por libra em 2026, ainda acima da média dos últimos cinco anos. A expectativa inicial era de uma queda mais acentuada.
Estratégias da Illy: foco no Brasil e produção nos EUA
Mesmo durante o período de tarifas, a empresa manteve sua estratégia de compra do café brasileiro, já que seus blends dependem do perfil sensorial do grão produzido no país.
Agora, a Illy planeja avançar com parcerias de produção nos Estados Unidos, mercado que representa cerca de 20% do faturamento global.
A companhia também tem trabalhado para limitar ao máximo o impacto ao consumidor final, absorvendo parte dos custos nas margens — movimento que contribuiu para elevar o volume de vendas, mesmo em um ambiente de preços pressionados.
O que isso significa para o foodservice
Para cafeterias, restaurantes e operadores, o alerta é claro: o cenário de preços elevados deve se estender pelos próximos ciclos de colheita. O setor, porém, segue mostrando resiliência na demanda — e a Illy projeta crescimento moderado, de um dígito, nos próximos anos.







