Depois de uma temporada de verão mais fraca do que o previsto, bares e restaurantes de Santa Catarina enxergam no Carnaval 2026 a oportunidade de reequilibrar o caixa. Levantamento da Abrasel aponta que 78% dos empresários do setor projetam crescimento no faturamento em relação ao mesmo período de 2025.
A maior parte das expectativas é de avanço moderado: 59% acreditam em alta gradual nas receitas. Entre as projeções mais detalhadas:
- 32% estimam crescimento de até 5% nos lucros;
- 27% projetam aumento de cerca de 10%;
- 12% apostam em alta de até 20%;
- 7% trabalham com a possibilidade de expansão de até 50%;
- 20% preveem estabilidade;
- apenas 2% esperam queda.
O início do verão foi impactado, principalmente, pela redução no fluxo de turistas argentinos — público relevante para o estado nessa época do ano. A diminuição afetou diretamente o movimento em bares e restaurantes, especialmente nas primeiras semanas de janeiro.
Ainda assim, o setor acredita em recuperação ao longo do semestre. Além do Carnaval, o calendário reúne outras datas estratégicas para o foodservice, como Páscoa, Dia das Mães, Semana dos Namorados, Copa do Mundo e feriados prolongados, que tradicionalmente estimulam o consumo fora do lar.
A expectativa é reforçada por dados da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), que estima que o Carnaval deve movimentar R$ 14,48 bilhões no país — o melhor resultado da série histórica iniciada em 2013, com crescimento de 3,8% sobre 2025.
Em Florianópolis, a programação do Carnaval de Rua deve atrair mais de 1,5 milhão de pessoas entre 13 e 17 de fevereiro, com shows de artistas nacionais. Para operadores locais, grandes eventos representam oportunidade de ampliar ticket médio, aumentar giro e melhorar margens em um curto intervalo de tempo.
Os indicadores financeiros recentes também ajudam a sustentar o otimismo. Em dezembro de 2025, 49% dos empresários catarinenses fecharam o mês com lucro, 36% operaram no ponto de equilíbrio e 15% registraram prejuízo. No cenário nacional, o percentual de empresas no azul foi o maior dos últimos dois anos.
Em relação aos preços, 60% dos estabelecimentos conseguiram reajustar cardápios dentro ou abaixo da inflação. Outros 19% aplicaram aumentos acima do índice inflacionário, enquanto 21% afirmaram não ter conseguido repassar custos — um dado que reforça o desafio de recompor margens em um ambiente ainda pressionado.
Para o foodservice catarinense, o Carnaval surge não apenas como um pico sazonal de vendas, mas como um termômetro para medir a capacidade de recuperação do setor em 2026.







