A Coca-Cola encerrou o segundo trimestre de 2025 com resultados positivos, totalizando US$ 4,28 bilhões em lucro líquido — uma alta considerável em relação aos US$ 2,63 bilhões registrados no mesmo período do ano anterior. Segundo relatório divulgado nesta terça-feira (22), o bom desempenho foi puxado por uma combinação de aumento nos preços (6%) e performance sólida em diversas regiões, mesmo diante de uma leve retração de 1% no volume de vendas globais.
A receita líquida consolidada alcançou US$ 12,5 bilhões, com crescimento de 1% em comparação ao segundo trimestre de 2024 e levemente acima das projeções do mercado. Já a receita orgânica, que exclui efeitos cambiais e reestruturações, avançou 5%, impulsionada principalmente pelo mix de produtos e reajustes de preços. No entanto, as vendas de concentrados recuaram 1%, refletindo o declínio no volume global de unidades vendidas.
América Latina em destaque
A América Latina teve papel relevante nesse resultado, registrando crescimento de 13% nas receitas, mesmo com uma queda de 2% no volume. Brasil e Argentina sustentaram os números com estabilidade nas vendas de bebidas não alcoólicas, apesar dos desafios regionais como inflação elevada, aumento nos custos e mudanças no comportamento do consumidor.
Na América do Norte, o crescimento foi de 3%, puxado por reajustes de preço e aumento nas vendas de sucos e bebidas à base de plantas — categorias que vêm ganhando espaço com a busca por produtos mais naturais.
Margem operacional e lucro por ação sobem
A margem operacional da empresa atingiu 34,1%, ante 21,3% no mesmo trimestre de 2024. Considerando ajustes contábeis, esse índice sobe para 34,7%, refletindo uma combinação de controle de custos, foco estratégico em marketing e ganhos com eficiência operacional.
O lucro por ação (EPS) teve alta de 58%, chegando a US$ 0,88. Ajustado pelas oscilações cambiais, o EPS comparável subiu 4%, alcançando US$ 0,87.
Perspectivas para o segundo semestre
Apesar da pressão contínua de custos e do câmbio, a Coca-Cola segue otimista quanto ao desempenho para o restante do ano. A previsão de crescimento orgânico da receita foi mantida entre 5% e 6%, com expectativa de geração de fluxo de caixa livre em torno de US$ 9,5 bilhões — valor que desconsidera o pagamento de US$ 6,1 bilhões pela aquisição da marca fairlife.
Analistas destacam que o segundo trimestre de 2024 havia sido especialmente forte, o que torna as comparações mais desafiadoras em 2025. Ainda assim, o mercado segue confiante na força global da marca e na sua capacidade de precificação. As ações da Coca-Cola acumulam alta de 13% no ano, com valor de mercado acima dos US$ 300 bilhões.
A empresa também reafirmou sua expectativa de crescimento de lucro por ação comparável em cerca de 3%, tomando como base os US$ 2,88 de 2024. No pré-mercado desta terça, os papéis subiam 0,41% às 8h09 (horário de Brasília).
“Em um cenário externo em transformação, nossa capacidade de manter foco e flexibilidade foi essencial para seguirmos no caminho certo na primeira metade do ano”, afirmou James Quincey, CEO da Coca-Cola. “Estamos confiantes em nossa trajetória e nas metas para 2025 e no longo prazo.”
Fonte: Exame







