A proximidade da expiração da patente da semaglutida — princípio ativo de medicamentos como Ozempic e Wegovy — começa a sair do campo das projeções e ganhar efeitos concretos em diferentes setores. Segundo reportagem da InfoMoney, análises do Goldman Sachs mostram que o avanço dos medicamentos da classe GLP-1 já tem impactado hábitos de consumo em mercados mais maduros, especialmente no segmento de bebidas alcoólicas.
De acordo com o banco, usuários de GLP-1 reduziram, em média, 23% o consumo de bebidas alcoólicas, podendo chegar a uma queda de até 55% em determinados perfis. Nas estimativas do Goldman Sachs, esse movimento representa um risco relevante para a Ambev (ABEV3), com potencial de queda de até 8% até 2027, dependendo do ritmo de adoção desses medicamentos. No cenário-base, o impacto negativo estimado é de 50 pontos-base.
A InfoMoney destaca ainda que esse efeito se soma a um momento já desafiador para o setor. Em 2025, a produção de bebidas alcoólicas recuou cerca de 5% na comparação anual, o que pode intensificar processos de reprecificação (de-rating) nos próximos anos. Não por acaso, empresas do segmento têm buscado respostas rápidas, ampliando portfólios com opções não alcoólicas e bebidas funcionais, especialmente voltadas ao público mais jovem.
Onde surgem as oportunidades
Enquanto o consumo de álcool perde tração, outros mercados começam a se beneficiar da mudança de comportamento. Segundo o estudo citado pela InfoMoney, produtos com alto teor proteico ganham espaço à medida que hábitos ligados à saúde e bem-estar se consolidam.
Não há, por ora, evidências robustas de aumento expressivo no consumo de carne fresca. O que se observa é uma redução consistente na ingestão de alimentos ultraprocessados e com alto teor de gordura. Essa combinação reforça a visão positiva do Goldman Sachs para empresas como BRF (MBRF3) e JBS (BDR: JBSS32), que já vêm ajustando portfólios e comunicação para capturar esse movimento.
E o foodservice nisso tudo?
O setor de restaurantes aparece como um dos mais dinâmicos na adaptação a essas novas demandas. Conforme aponta a reportagem da InfoMoney, os resultados ainda são mistos: alguns operadores registram crescimento de gastos em dígitos únicos baixos, enquanto outros enfrentam retrações em patamares mais elevados.
Para o foodservice, o avanço dos GLP-1 funciona como um sinal claro de que saúde, funcionalidade e transparência nutricional deixam de ser tendência e passam a fazer parte da equação central do negócio — do cardápio à estratégia de marca.
No Portal Foodbiz, esse movimento já vem sendo acompanhado de perto, especialmente no cruzamento entre comportamento do consumidor, indústria e operações de foodservice. A leitura do mercado financeiro reforça algo que o setor já começa a sentir na prática: mudanças estruturais nos hábitos alimentares tendem a redesenhar cadeias inteiras de valor.
Fonte: InfoMoney, com base em análises do Goldman Sachs.







