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México eleva tarifas do açúcar e pressiona exportadores

O México anunciou um aumento expressivo nas tarifas de importação de açúcar, que agora podem chegar a 210% para países com os quais não mantém acordos comerciais. A medida, que entrou em vigor nesta terça-feira, integra o chamado “Plano México”, estratégia econômica da presidente Claudia Sheinbaum focada em fortalecer a produção doméstica, proteger empregos e impulsionar setores estratégicos do país.

De acordo com o diário oficial mexicano, as novas tarifas — que variam entre 156% e 210% — incidem sobre açúcar de cana, açúcar de beterraba, açúcar líquido refinado e xaropes. O documento afirma que o objetivo é evitar distorções no comércio internacional, especialmente diante da queda nos preços globais e do excesso de oferta, fatores que pressionam o setor açucareiro mexicano. Até então, o país aplicava uma tarifa fixa de aproximadamente US$ 0,36 por quilo sobre algumas categorias do produto.

O Ministério da Agricultura reforçou o caráter protecionista da decisão, afirmando que a atualização tarifária é essencial para preservar competitividade, garantir postos de trabalho e apoiar produtores nacionais. A iniciativa afeta diretamente o Brasil, um dos maiores exportadores de açúcar para o mercado mexicano e que, sem um acordo comercial bilateral, passa a enfrentar barreiras significativamente mais altas para manter sua presença no país.

A decisão ocorre em um momento sensível para a economia mexicana, que enfrenta incertezas decorrentes das negociações comerciais com os Estados Unidos. O México está na fase final de discussões antes da revisão do Acordo Estados Unidos–México–Canadá (USMCA), prevista para o próximo ano. Tarifas intermitentes impostas pelos EUA sobre aço, automóveis e outros produtos têm gerado volatilidade e contribuíram para uma leve contração econômica no terceiro trimestre, aumentando temores de recessão.

Recentemente, o presidente americano Donald Trump prorrogou a isenção de tarifas adicionais sobre produtos mexicanos, gesto que trouxe algum alívio ao mercado e renovou expectativas de um acordo mais amplo com Sheinbaum. Enquanto isso, o governo mexicano enfrenta resistência interna sobre outro ponto-chave do Plano México: a proposta de elevar tarifas sobre importações chinesas. O setor privado e até membros do partido governista pressionam contra a medida, alegando que isso aumentaria drasticamente os custos de produção, já que a indústria mexicana depende fortemente de maquinário, componentes e insumos vindos da China. O impasse levou ao adiamento da discussão no Congresso até, pelo menos, dezembro.

Com a nova política para o açúcar, o México sinaliza uma postura mais assertiva em relação ao protecionismo agrícola, ao mesmo tempo em que equilibra tensões comerciais com seus maiores parceiros e tenta garantir estabilidade econômica em um cenário internacional cada vez mais incerto.

Fonte: o globo

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