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Safra de café cresce, mas logística e tarifas preocupam

A safra brasileira de café caminha para um novo recorde, mas o cenário para 2026 mistura otimismo com pontos de atenção que vão além da lavoura.

As primeiras estimativas indicam um crescimento de 17% na produção na safra 2026/27, podendo superar o recorde de 2020, com cerca de 66,2 milhões de sacas de 60 kg, segundo a Conab. No mesmo ritmo, as exportações também devem avançar: a projeção do Itaú BBA aponta alta de 12%, chegando a 45,6 milhões de sacas embarcadas.

Esse desempenho tem relação direta com as condições climáticas. O início do ano é decisivo para o enchimento dos grãos — fase que define peso e qualidade do café — e depende principalmente de chuva e incidência solar. Para Marcos Matos, diretor do Cecafé, os sinais até agora são positivos e indicam uma recuperação após safras mais pressionadas.

Mesmo com uma perspectiva robusta no campo, o setor enfrenta desafios relevantes no ambiente externo e na logística. Um dos principais pontos de tensão é a tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre o café solúvel brasileiro. A expectativa do setor é que o tema avance nas negociações diplomáticas, especialmente com o encontro entre os presidentes Lula e Donald Trump previsto para março.

Outro gargalo está dentro de casa: a infraestrutura portuária. O Porto de Santos, principal canal de escoamento do café brasileiro, já opera próximo do limite. Segundo a logtech ElloX, os entraves logísticos podem gerar perdas de até R$ 73,9 milhões — cerca de 20% a mais do que em 2025.

Na prática, o crescimento da produção pressiona ainda mais um sistema que não acompanhou o ritmo da demanda. Nos últimos cinco anos, o porto expandiu cerca de 40%, mas sem a mesma evolução em capacidade operacional. A consequência tende a ser aumento no tempo de espera para carga e descarga, impactando custos e eficiência.

Para o foodservice, o cenário traz um duplo efeito: maior oferta de café pode aliviar pressões de preço no médio prazo, mas os ruídos logísticos e comerciais ainda podem gerar volatilidade no curto prazo — um ponto de atenção para redes, cafeterias e operadores que dependem do insumo.

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Fonte: Exame

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