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Varejo alimentar fecha abril estável com alta em bebidas e frescos

Com temperaturas mais altas e Páscoa antecipada, varejo alimentar fecha abril estável; bebidas e alimentos frescos crescem enquanto mercearia recua

Dados do Radar Scanntech indicam avanço limitado no faturamento, que segue puxado por preço, apesar da desaceleração no crescimento do preço por unidade

O mês de abril terminou com o varejo alimentar se estabilizando, aponta o Radar Scanntech. No acumulado do ano, o faturamento cresceu 1,5% na comparação com o mesmo período de 2025, puxado pela alta de preços de +3,3%, enquanto unidades vendidas caíram -1,8%. O aumento de preços foi composto pela alta de +1,1% no preço por volume (kg/litro) e pela elevação de +2,2% no tamanho médio das embalagens.

Olhando somente para o mês de abril, a queda em unidades vendidas (-2%) foi menor do que em março (-3,6%) e fevereiro (-3%), na comparação com os mesmos meses em 2025. Além disso, o preço por volume recuou −0,5% no mês, desacelerando o crescimento do preço por unidade para +2,4%, abaixo do que nos dois meses anteriores (+3,8% em março e +3,3% em fevereiro), indicando um cenário mais favorável ao consumidor.

Segundo o relatório da empresa líder em inteligência de dados para o varejo e a indústria de bens de consumo, o aumento das temperaturas, de maneira geral, favoreceu o consumo coletivo em abril e fez as bebidas avançarem 7,6% em faturamento, com destaque para energético (+37,6%), cerveja (+8,4%) e refrigerantes (+8,1%). Além disso, ganhou destaque a categoria de Perecíveis Frescos, com crescimento no faturamento em itens como Bovino in Natura (+17,1%), Iogurtes (+11,5%), Queijos (+7,9%) e Legumes (+4,3%).
 

Por outro lado, o efeito calendário impactou negativamente o setor: com a Páscoa concentrada no início do mês, transferindo parte do consumo para março, a cesta de Páscoa recuou 20,6% em faturamento em abril e puxou Mercearia para baixo (-8,5%). Além disso, Mercearia Básica segue pressionada pela deflação, com queda em unidades e perda de incidência nos tickets, com destaque para Arroz (−23,2% em faturamento), Açúcar (−21,5%), Café (−11,1%), Ovos (−9,5%) e Farinha (−6,1%).

“Tivemos um mês marcado por forças opostas. Abril apresentou desempenho positivo em categorias ligadas a ocasiões de celebração e consumo coletivo, impulsionadas por temperaturas mais altas do que em 2025, favorecendo especialmente Bebidas e itens naturais e in natura. Por outro lado, o efeito calendário da Páscoa impactou negativamente a cesta de Mercearia”, afirma Felipe Passarelli, Head de Inteligência de Mercado da Scanntech.

Como referência, em março, a categoria de Mercearia avançou +10,7% em faturamento em função do efeito calendário da Páscoa, com destaque para Ovo de Páscoa (+361,4%) e Chocolate (+50,7%), que lideraram as maiores altas do período.

“Seguimos observando, também, a continuidade do movimento de deflação em itens básicos. A combinação desses fatores resultou em estabilidade no faturamento do varejo alimentar”, diz o especialista.

O canal Perfumaria segue com retração em faturamento (−5,4%), com retração de Cosmética, impulsionada por Maquiagem Labial. No entanto, Hidratação Corporal surge como tendência emergente (+9,0%), puxada por Óleo Corporal (+33,4%).

Diferentes regiões e perfis de loja

No recorte regional, Norte (+2,7%) e Centro-Oeste (+1,9%) lideram em faturamento, enquanto o Sudeste segue com os piores resultados (-0,4% em Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo e +0,1% em São Paulo).
 

Já olhando para perfis de loja, o Atacarejo é o único em retração no acumulado do ano (−0,8%), apesar de ter ganhado eficiência promocional em abril, mesmo com descontos superiores ao mesmo período de 2025. Supermercados pequenos a médios acumulam melhor desempenho, com +2,6% de faturamento nos até quatro checkouts e +2,7% nos de cinco a nove checkouts, com forte influência de preço.

Fonte: assessoria

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