Encerrada a participação do Brasil na Copa do Mundo de 2026, dados da Scanntech, empresa líder em inteligência de dados para o varejo e a indústria de bens de consumo de alto giro, mostram que, nos dias em que a Seleção entrou em campo, as vendas cresceram 21,3% em volume, na comparação com os mesmos dias da semana de períodos regulares de 2026 e 2025.
A emoção cresceu a cada fase
Se na fase de grupos o incremento no dia do jogo havia sido de 12,1% nas categorias correlacionadas com a Copa deste ano, o número saltou para 21,3% no consolidado de toda a campanha. A explicação está nos jogos decisivos: a cada fase superada, a torcida se animava e se preparava mais para acompanhar a Seleção. No jogo contra o Japão, o consumo foi 20,6% maior que em períodos regulares; e no jogo de 5 de julho, o avanço chegou a 35,1%, o pico de toda a participação da Seleção na competição.
Em 2022, avaliando o varejo total, a Scanntech já identificava que o consumo tendia a crescer a cada etapa vencida pela Seleção: as projeções da época indicavam que, ao alcançar as fases intermediárias, o varejo total ficaria até 2 p.p. acima do patamar da fase de grupos. Em 2026, olhando as categorias correlacionadas à Copa, o mesmo comportamento se repetiu, com o consumo avançando de forma consistente ao longo do campeonato.
Com o Brasil em campo, o carrinho mudou de patamar
O consumo cresceu ao longo de toda a Copa, mas foi nos dias de jogo da Seleção que as altas ganharam muito mais intensidade. No consolidado, os dias de jogo do Brasil avançaram 21,3%, ante 5,8% nos demais dias de torneio. O mesmo padrão se repete em cada momento de consumo, com um impulso bem mais forte quando a Seleção está em campo.
O beliscar durante a transmissão foi um momento muito impulsionado pela Seleção em campo. O petisco snack cresceu 241,0% nos dias de jogo do Brasil, ante 7,9% nos demais dias; o amendoim avançou 85,0% ante 20,5%; o milho para pipoca, 68,5% ante 24,6%; a pipoca, 64,4% ante 14,2%; e o mix de nuts, 26,9% ante 1,7%.
A praticidade dos congelados de preparo rápido, servidos em minutos no forno ou na air fryer, seguiu o mesmo movimento: o salgado congelado subiu 58,6% com o Brasil em campo, ante 13,0% nos demais dias, e a batata congelada avançou 56,1% ante 22,8%.
No churrasco em casa, o pão de alho foi o grande termômetro dos dias de jogo do Brasil: cresceu 125,5% quando a Seleção jogava e ficou praticamente estável, em 1,2%, nos demais dias. A linguiça acompanhou o movimento, com alta de 21,6% ante 6,7% e o Bovino in Natura aumentou consumo 13,1% em dias de jogos do Brasil, ante +9,5% nos demais. Fica claro que o preparo mais especial era reservado aos dias em que a torcida se voltava para a Seleção Brasileira.
As bebidas foram as mais concentradas nos jogos da Seleção, quando o consumo ganhou força bem acima da registrada nos demais dias. A cerveja cresceu 38,8% com o Brasil em campo, versus 3,3% negativos nos outros dias; o gelo, 57,3% versus 17,8% negativos; a mistura alcoólica, 66,2% versus 6,5%; o licor, 44,5% versus 17,3%; e o refrigerante, 17,8% ante 3,1%.
Menos planejamento, mais ação no dia do jogo
A Copa de 2026 foi marcada pela decisão de compra no calor do momento. Enquanto o dia da partida cresceu 21,3%, a véspera avançou 8,0%. O padrão desenha um consumidor que se mobiliza no próprio dia do jogo, abastecendo a casa poucas horas antes do apito inicial, em vez de planejar as compras com antecedência.
NOTA METODOLÓGICA
A Scanntech monitora, em nível ticket, mais de R$ 1,1 trilhão de reais em mais de 15 bilhões de tickets ao ano, recebidos através de API homologada nos sistemas de frente de caixa dos varejistas. O crescimento nos dias de jogo do Brasil foi apurado na comparação com os mesmos dias da semana de períodos regulares de 2026 e 2025. A leitura “com Brasil em campo” considera os dias de jogo da Seleção; “sem Brasil em campo”, os demais dias de Copa. Os percentuais indicam variação de volume dessazonalizada; os valores por categoria referem-se ao dia do jogo (D0).
Fonte: Scanntech — Painel Nacional do Varejo Alimentar.







