O custo de uma alimentação saudável aumentou 25% nos últimos cinco anos, tornando esse padrão alimentar inacessível para 2,69 bilhões de pessoas em todo o mundo. Os dados fazem parte do relatório O Estado da Segurança Alimentar e da Nutrição no Mundo 2026, da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), que será apresentado oficialmente em Roma.
Segundo a FAO, o custo médio global de uma alimentação saudável chegou a US$ 4,28 por pessoa por dia, reforçando os desafios para ampliar o acesso a alimentos nutritivos.
Quase um terço da população não consegue pagar por uma alimentação saudável
Durante a apresentação dos dados na sede da ONU, em Nova York, o economista-chefe da FAO, Máximo Torero Cullen, destacou que o aumento dos preços mantém quase uma em cada três pessoas sem condições de consumir uma dieta adequada.
“Como consequência, 2,69 bilhões de pessoas, ou seja, quase uma em cada três pessoas no mundo, continuam sem poder arcar com uma alimentação saudável”, afirmou.
O levantamento mostra que o problema vai além da oferta de alimentos e está diretamente relacionado ao acesso econômico a produtos de maior valor nutricional.
América Latina registra o maior custo
De acordo com a FAO, a América Latina e o Caribe concentram o maior custo para uma alimentação saudável entre todas as regiões do mundo.
Segundo Torero Cullen, um dos fatores é a prioridade dada às exportações agrícolas, reduzindo a disponibilidade e a diversidade de alimentos destinados aos mercados locais.
O desafio está no acesso a alimentos nutritivos
O relatório aponta que alimentos básicos, como cereais e leguminosas, representam cerca de 13% do custo de uma alimentação saudável. Já produtos de origem animal respondem por quase 30%, enquanto frutas e verduras representam aproximadamente 16%.
Para a FAO, o principal desafio não é produzir mais alimentos, mas ampliar o acesso aos itens mais nutritivos.
“O desafio não é produzir calorias suficientes, e sim tornar os alimentos ricos em nutrientes mais acessíveis”, destacou Torero Cullen.
Segundo a entidade, ampliar a produção local poderia reduzir o custo de uma alimentação saudável em cerca de 34% no mundo e em até 80% na África.
Logística e políticas públicas são apontadas como prioridade
Além do incentivo à produção local, a FAO defende a revisão de políticas de subsídios, priorizando alimentos mais nutritivos em vez de concentrar incentivos apenas em cereais.
O relatório também destaca a importância de investimentos em infraestrutura logística, como estradas, transporte e armazenamento, lembrando que entre 70% e 75% do custo de uma alimentação saudável é gerado após os alimentos deixarem as propriedades rurais.
Para o foodservice, os dados reforçam um desafio crescente: ampliar o acesso a refeições equilibradas em um cenário de aumento dos custos da cadeia de abastecimento, ao mesmo tempo em que consumidores buscam opções mais saudáveis e acessíveis.







