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A indústria alimentícia nos EUA enfrenta o desafio dos corantes artificiais

CANVA

O setor de alimentos nos Estados Unidos vive um momento de virada. Fabricantes de corantes estão à frente do primeiro grande embate legal contra a onda de restrições a corantes artificiais — um reflexo do movimento “Make America Healthy Again”, que vem ganhando força em diversos estados.

O Secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr., pediu que as empresas eliminem voluntariamente esses aditivos até o fim do próximo ano, evitando uma proibição federal total. A FDA (Food and Drug Administration), por sua vez, mantém a posição de que os corantes artificiais são seguros e que apenas evidências científicas claras de risco à saúde — como potencial cancerígeno — poderiam motivar uma revisão dessa aprovação.

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Estados assumem a dianteira

Sem uma diretriz federal unificada, diferentes estados começaram a agir por conta própria. A Virgínia Ocidental foi o primeiro a aprovar uma proibição ampla de corantes sintéticos, enquanto o Texas passou a exigir que produtos com esses ingredientes tragam alertas nos rótulos.

De acordo com a Conferência Nacional de Legislaturas Estaduais, até março, cerca de 20 estados já haviam apresentado quase 40 propostas de lei voltadas a restringir corantes e outros aditivos alimentares.

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Reação da indústria

A Associação Internacional de Fabricantes de Corantes reagiu rapidamente. Seu conselheiro geral, John H. Cox, classificou a proibição da Virgínia Ocidental como “não baseada em evidências científicas” e afirmou que a entidade entrou com uma ação judicial para anular a medida. Segundo ele, a nova lei “aponta de forma arbitrária aditivos que nunca foram considerados inseguros por nenhuma agência ou tribunal americano”.

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🔸 Leia também: EUA vão eliminar corantes artificiais dos alimentos até 2026
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Adaptação e estratégia

Mesmo diante das disputas legais, grandes empresas como WK Kellogg, Kraft Heinz e Campbell’s já indicaram que pretendem se adequar à nova realidade, impulsionadas também pela crescente pressão dos consumidores por ingredientes naturais.

Durante a conferência IFT First, em Chicago, o advogado Martin Hahn destacou que historicamente o setor alimentício evita levar disputas aos tribunais, mas sugeriu que a indústria pode precisar adotar uma postura mais combativa à medida que mais estados aprovem proibições.

“Temos que nos posicionar agora”, afirmou Hahn. “Se não agirmos, daremos espaço para que novas legislações restritivas surjam em outros estados.”

Com a pressão regulatória aumentando e a demanda do consumidor por transparência e naturalidade crescendo, a transição para corantes naturais deixa de ser apenas uma tendência — e passa a ser uma necessidade estratégica para o futuro da indústria.


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Fonte: Food Dive

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