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EUA vão eliminar corantes artificiais dos alimentos até 2026

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Segundo matéria publicada pela InfoMoney, o Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos (HHS) anunciou um plano ambicioso para eliminar gradualmente os corantes artificiais de alimentos vendidos no país até o final de 2026. A medida está sendo conduzida em parceria com a FDA (agência reguladora de alimentos e medicamentos dos EUA), que atuará junto à indústria alimentícia para retirar seis corantes sintéticos — incluindo os amplamente utilizados Vermelho 40, Amarelo 5 e Azul 1 — da cadeia de produção.

Uma mudança impulsionada pela saúde pública

O comissário da FDA, Marty Makary, afirmou que a decisão está ancorada em estudos que associam o uso desses corantes a riscos para a saúde infantil, como hiperatividade, obesidade, diabetes e até mesmo câncer. O Vermelho 3, outro corante amplamente utilizado, deve ser eliminado antes de 2027, conforme o cronograma do governo Biden.

“Por que continuar correndo esse risco?”, questionou Makary, defendendo que a segurança alimentar infantil deve ser prioridade máxima.

Além disso, a FDA pretende revogar a autorização de dois corantes menos conhecidos — Citrus Red 2 e Laranja B — e acelerar a liberação de alternativas naturais, como o extrato da flor de ervilha-borboleta.


Leia também: FDA proíbe Corante Vermelho No. 3 em alimentos

O papel das empresas e a resistência do setor

Embora algumas empresas estejam reagindo com ceticismo, alegando que os corantes são seguros e que a substituição pode ser custosa, muitas já começaram a se adaptar à nova realidade. A McCormick & Co. anunciou parceria com empresas para reformular produtos como temperos e ingredientes de panificação. A PepsiCo, por sua vez, desenvolveu snacks sem o vermelho típico dos corantes sintéticos, enquanto a International Dairy Foods Association (IDFA) firmou compromisso para eliminar corantes artificiais de produtos lácteos servidos em escolas públicas até julho de 2026.

O movimento ganha ainda mais força diante da pressão popular e de legislações estaduais como as da Califórnia e Virgínia Ocidental, que já começaram a restringir esses aditivos em merendas escolares e, gradualmente, em todos os alimentos vendidos.

Uma tendência global?

Embora o foco da medida esteja nos Estados Unidos, o impacto desse tipo de decisão tende a ser global, já que muitas empresas alimentícias operam internacionalmente. O crescente apelo por produtos mais saudáveis e transparentes quanto aos ingredientes reforça uma tendência de reformulação não apenas nos EUA, mas também em mercados como o brasileiro.

Segundo defensores da saúde alimentar, os corantes artificiais não agregam valor nutricional nem alteram o sabor dos produtos — apenas tornam alimentos ultraprocessados visualmente mais atrativos. “Mal posso esperar para entrar em um supermercado e não ter que me preocupar mais com corantes alimentares artificiais”, afirmou a ativista Vani Hari, conhecida como “Food Babe”, uma das líderes do movimento popular que pressionou pela mudança.

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