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GLP-1 muda consumo e impulsiona balas e chicletes

Foto: Bloomberg/Getty Images

Os efeitos do avanço dos medicamentos à base de GLP-1 começam a ir além da redução de apetite — e já influenciam novos comportamentos de consumo, com reflexos diretos na indústria de alimentos.

Esses remédios atuam estimulando a produção de insulina, reduzindo a fome e retardando o esvaziamento gástrico. Na prática, isso altera a rotina alimentar dos usuários. Um efeito que vem ganhando atenção, embora não descrito oficialmente nas bulas, é o surgimento de mau hálito — fenômeno que ficou conhecido informalmente como “boca do Ozempic”.

Relatos recorrentes têm mobilizado especialistas. A American Dental Association observa aumento de casos de boca seca, inflamações gengivais e cáries entre pacientes em uso dessas medicações. A principal explicação está na redução da produção de saliva, associada à ação da semaglutida, presente em medicamentos como Ozempic e Wegovy.

Com menos saliva, o ambiente bucal favorece a proliferação de bactérias ligadas ao mau hálito e a problemas dentários. Soma-se a isso a redução da sensação de sede — outro efeito relatado —, o que contribui para quadros de desidratação e intensifica o desconforto.

Esse contexto ajuda a explicar o aumento no consumo de balas de menta e chicletes, que passam a ser utilizados como solução prática no dia a dia. Um ajuste pequeno no hábito, mas com impacto direto em categorias específicas do varejo alimentar.

Ao mesmo tempo, o crescimento do uso de GLP-1 redesenha o consumo de forma mais ampla. Projeções do J.P. Morgan indicam que o mercado global dessas medicações pode chegar a US$ 200 bilhões até 2030. Nos Estados Unidos, milhões de consumidores já utilizam esses tratamentos, o que amplia o alcance das mudanças.

Os impactos já aparecem em diferentes categorias. Além do avanço em balas e chicletes, empresas reportam crescimento em produtos premium e porções menores. A Lindt & Sprüngli, por exemplo, identificou maior consumo de chocolates premium entre usuários dessas medicações. Já a Magnum aponta uma migração para itens mais sofisticados, com ingredientes naturais ou maior teor proteico.

Na Hershey, o movimento também impulsionou as vendas de barras de proteína, que cresceram 17% no período. No conjunto, essas mudanças contribuíram para um aumento de mais de 10% na receita da companhia no primeiro trimestre de 2026.

Para o foodservice e a indústria, o cenário aponta para uma transformação mais estrutural: menos volume, mais valor agregado e novas ocasiões de consumo. Ajustes no portfólio, no tamanho das porções e no posicionamento dos produtos tendem a ganhar relevância à medida que esse perfil de consumidor se expande.

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Fonte: Época Negócios

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