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Krispy Kreme e McDonald’s rompem parceria nos EUA

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Uma das colaborações mais promissoras do mercado de foodservice dos Estados Unidos chegou ao fim. A Krispy Kreme anunciou o encerramento da parceria com o McDonald’s, pouco mais de um ano após o início da distribuição de seus donuts nas lanchonetes da rede. A decisão foi atribuída a questões de custo, sinalizando que, mesmo com potencial de crescimento, nem toda oportunidade de expansão se traduz em sustentabilidade operacional.

O acordo e sua promessa

Firmado em março de 2024, o acordo entre as duas gigantes previa a venda de donuts da Krispy Kreme em cerca de 2.400 unidades do McDonald’s. A expectativa era ambiciosa: mais que dobrar a capacidade de distribuição da marca até 2026. Ambas as empresas trabalharam juntas na execução, marketing e treinamento, buscando entregar uma experiência de consumo consistente nos pontos de venda.

Quando o custo fala mais alto

Apesar do sucesso inicial, a Krispy Kreme declarou que não conseguiu alinhar os custos de operação com a demanda real nas unidades, tornando o projeto financeiramente inviável. O CEO da rede, Josh Charlesworth, ressaltou que, embora a parceria tenha sido bem conduzida em termos operacionais, os esforços para torná-la rentável falharam — o que levou à decisão de encerramento.

Impacto no mercado

Após o anúncio, as ações da Krispy Kreme oscilaram na bolsa de Nova York, refletindo a sensibilidade do mercado a decisões estratégicas dessa natureza. No acumulado de 2025, os papéis da empresa já apresentavam uma queda de 74%. Em contraste, as ações do McDonald’s permaneceram relativamente estáveis, sugerindo que o impacto no core business da rede foi limitado.

Lições para o setor

Esse caso revela importantes lições para o setor de alimentação fora do lar:

  • Parcerias não garantem escala sustentável: A expansão precisa ser acompanhada de controle rigoroso de custos e previsibilidade na operação.
  • Nem toda marca se adapta a canais de alto volume: Produtos com logística mais delicada, como os donuts frescos da Krispy Kreme, exigem uma estrutura específica que nem sempre se encaixa em operações de fast food tradicionais.
  • Flexibilidade e capacidade de retração são fundamentais: Saber recuar de um plano de crescimento pode ser tão estratégico quanto a decisão de crescer.

Enquanto a Krispy Kreme volta a concentrar seus esforços em modelos mais rentáveis, como suas lojas próprias e parcerias com redes de conveniência e supermercados, o mercado segue atento aos próximos passos da marca — e às lições que ficam para todo o ecossistema do foodservice.



Fonte: Bloomberg Línea

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