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Luckin Coffee desafia a Starbucks e coloca o Brasil no centro dessa disputa

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Conteúdo originalmente publicado pela Mercado&Consumo

Quando a Starbucks anunciou que buscava vender parte de sua operação na China ou atrair novos investidores, o recado foi claro: a marca que se tornou sinônimo global de café perdeu espaço no maior mercado emergente para uma concorrente local — a Luckin Coffee.

Fundada em 2017 por dois ex-executivos de tecnologia e mobilidade, a Luckin não nasceu de uma paixão pelo café, mas da lógica de eficiência e escala que marca o setor digital. Essa origem se refletia até na primeira sede da empresa, em Pequim: no hall de entrada, carros e servidores ocupavam o protagonismo, enquanto um pequeno quiosque de café ficava quase escondido no canto.

O crescimento foi meteórico. Em poucos anos, a Luckin não só superou a Starbucks em número de lojas na China, como, desde 2024, também em faturamento no país. Agora, a marca atravessa o Pacífico e desembarca em Nova York, levando ao território da rival um modelo de negócios moldado por tecnologia, agilidade e preços competitivos.

Um modelo digital desde o início

Na Luckin, não existe caixa nem balcão tradicional: todos os pedidos são feitos via aplicativo, que concentra pagamento, promoções gamificadas e sugestões personalizadas. Essa digitalização total, combinada a lojas compactas e padronizadas, permite custos fixos reduzidos e preços cerca de 30% menores que os da Starbucks, sem sacrificar margem.

A operação é apoiada por mais de 24 mil unidades e por tecnologia que monitora estoques e prevê demanda em tempo real, garantindo rapidez e conveniência — fatores que dialogam com o estilo de vida acelerado das metrópoles chinesas e que agora estão sendo testados em Manhattan.

Marketing que cria fenômenos

As campanhas da Luckin apostam em colaborações inusitadas, como o famoso latte com licor Moutai, que vendeu 5,4 milhões de copos em um único dia. Ao unir cultura pop, preços acessíveis e forte presença digital, a marca transformou o consumo de café em um fenômeno social, especialmente entre os jovens.

O papel estratégico do Brasil

O Brasil é parte central dessa expansão. Em 2024, a Luckin firmou contratos para adquirir até 240 mil toneladas de café brasileiro até 2029, num valor estimado em US$ 2,5 bilhões. O fornecimento garante estabilidade de custos para sustentar a estratégia de preços agressivos. A empresa já estuda abrir escritório no país e não descarta lançar operações locais.

Isso significa que a disputa que começou em Pequim e hoje se desenrola em Nova York também passa por Minas Gerais e Espírito Santo. E o próximo capítulo pode incluir cidades como São Paulo ou Rio de Janeiro no mapa de expansão da marca.

Uma mudança no jogo global

A chegada da Luckin aos EUA simboliza um movimento inverso ao que vimos há duas décadas, quando a entrada da Starbucks na China representou a ocidentalização do consumo local. Agora, é o Oriente exportando tecnologia, eficiência e modelos de negócio.

Se repetir em Nova York o impacto que teve na China, a Luckin não só consolidará uma vitória sobre a Starbucks, mas também reforçará um novo paradigma: o futuro do café será decidido por dados, aplicativos e eficiência — com grãos brasileiros no centro dessa revolução.



Fonte: Mercado&Consumo

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