A Pernod Ricard, dona de marcas como Absolut, Jameson, Chivas Regal e Ballantine’s, encerrou o ano fiscal de 2026 com queda orgânica de 3,9% nas vendas, marcando o terceiro ano consecutivo de retração. O desempenho levou o grupo francês a acelerar seu programa de eficiência de € 1 bilhão, que agora deve ser concluído em 2028, um ano antes do inicialmente previsto.
O cenário reflete principalmente a fraqueza de dois mercados estratégicos para a companhia: Estados Unidos e China. Excluindo os dois países, as vendas orgânicas do grupo cresceram 0,5% no período. Nos EUA, a companhia enfrentou demanda mais fraca e ajustes de estoques, enquanto a China continuou pressionada pela menor procura, especialmente por bebidas premium.
Companhia prevê crescimento mais próximo do piso da meta
Para o período entre 2027 e 2029, a Pernod Ricard mantém uma expectativa de crescimento orgânico anual das vendas entre 3% e 6%, mas sinaliza que o desempenho deverá ficar mais próximo do limite inferior da faixa.
A cautela está associada principalmente à recuperação mais lenta do mercado norte-americano, além de um ambiente global marcado por mudanças no comportamento do consumidor e pressões sobre os custos.
Apesar da retração anual, houve melhora ao longo do exercício. A queda orgânica das vendas passou de 5,9% no primeiro semestre para 1,3% no segundo, indicando uma desaceleração do ritmo de redução.
Programa de eficiência de € 1 bilhão ganha ritmo
A Pernod Ricard também acelerou as medidas para reduzir custos e reorganizar sua estrutura. Metade da meta de € 1 bilhão em ganhos de eficiência já foi alcançada no ano fiscal de 2026, segundo a companhia.
Com isso, o grupo espera concluir integralmente o programa até 2028, antecipando em um ano o cronograma inicial. Os custos estruturais recuaram 8% no exercício, resultado da reorganização operacional e de medidas de controle de despesas.
Desde 2023, a empresa também reduziu significativamente seu quadro de funcionários. Segundo informações divulgadas na apresentação dos resultados, aproximadamente 3,6 mil posições foram eliminadas no período, equivalente a cerca de 18% da força de trabalho que o grupo possuía naquele momento.
Lucro e margem também recuam
O lucro operacional recorrente da Pernod Ricard atingiu € 2,42 bilhões, queda orgânica de 5,2% no ano. A margem operacional ficou em 25,8%, recuo de 0,35 ponto percentual em bases orgânicas.
Segundo a companhia, o resultado foi pressionado por uma combinação de fatores, incluindo ambiente menos favorável para reajustes de preços, inflação de custos, tarifas e mudanças no mix de mercados.
O lucro líquido recorrente somou € 1,48 bilhão, queda de 19%, enquanto o lucro líquido total recuou 26%, para € 1,2 bilhão.
Mercado de bebidas passa por transformação
Além dos desafios específicos nos Estados Unidos e na China, a Pernod Ricard acompanha mudanças mais amplas no mercado global de bebidas alcoólicas, incluindo maior moderação no consumo e pressão por alternativas com preços mais acessíveis.
Ao mesmo tempo, alguns segmentos apresentam crescimento. As bebidas ready-to-drink (RTDs) avançaram 12% no ano fiscal, impulsionadas por mercados como Canadá, Austrália e Europa Ocidental.
A companhia afirma que seguirá priorizando eficiência operacional, gestão do portfólio, investimentos nas marcas e geração de caixa enquanto busca retomar o crescimento nos próximos anos.







