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FoodBiz

Preços dos alimentos podem acelerar inflação global em 2027

Super El Niño, escassez de fertilizantes, problemas logísticos e eventos climáticos extremos aumentam preocupação com custos; JPMorgan projeta inflação global de alimentos de 5% no primeiro semestre

Depois da pressão exercida pelos preços de energia ao longo de 2026, os alimentos começam a surgir como uma nova fonte de preocupação para a inflação global. Investidores e economistas acompanham uma combinação de fatores que pode elevar os custos das principais commodities agrícolas nos próximos meses.

Entre os riscos estão a possibilidade de um Super El Niño, a escassez de fertilizantes, problemas no transporte marítimo e os efeitos das temperaturas elevadas registradas durante o verão europeu. Juntos, esses fatores podem comprometer safras, exportações e cadeias de abastecimento.

Segundo informações da Bloomberg, o movimento já leva grandes gestoras de recursos a rever suas estratégias diante da possibilidade de uma alta mais persistente dos preços dos alimentos.

“Acho que o próximo choque de oferta será no setor de alimentos. Não creio que isso esteja precificado no mercado no momento, especialmente porque esperamos que seja um processo lento, mas persistente”, afirmou Marie-Anne Allier, que coadministra € 7,6 bilhões na Carmignac.

Inflação global de alimentos pode chegar a 5%

Os alimentos ajudaram a conter a inflação ao longo de 2026, beneficiados pelas safras abundantes registradas em 2025. Esse cenário, no entanto, pode começar a mudar.

Economistas do Barclays avaliam que os efeitos podem aparecer já nesta temporada na Europa e ganhar dimensão global em 2027 caso a produtividade agrícola e as exportações continuem pressionadas.

Um dos principais sinais vem dos preços internacionais das commodities alimentícias. Segundo a Bloomberg, um índice da Organização das Nações Unidas (ONU) que acompanha esses produtos atingiu o maior nível desde o final de 2022.

Economistas do JPMorgan Chase projetam que a inflação global dos alimentos poderá alcançar 5% no primeiro semestre de 2027. No mesmo período de 2026, o indicador ficou em 2,8%.

A projeção representa uma aceleração de 2,2 pontos percentuais em um ano e aumenta a atenção sobre os efeitos que uma nova rodada de alta dos alimentos poderia exercer sobre consumidores e empresas.

Clima e fertilizantes entram no radar

As condições climáticas estão entre os principais fatores de risco. Eventos extremos podem afetar diretamente a produtividade de culturas agrícolas e reduzir a disponibilidade de determinadas commodities.

Ao mesmo tempo, restrições na oferta de fertilizantes podem elevar os custos de produção no campo. Problemas nas principais rotas marítimas também representam um risco adicional, ao encarecer o transporte e dificultar o fluxo internacional de matérias-primas.

Para a indústria de alimentos e o foodservice, uma combinação desses fatores pode significar maior pressão sobre os custos dos insumos e necessidade de atenção redobrada às estratégias de compras, estoques, fornecedores e formação de preços.

Mercado financeiro começa a se proteger

A possibilidade de uma inflação de alimentos mais elevada já provoca movimentos entre investidores. Gestoras como Carmignac, Fidelity International e Troy Asset Management estão adotando estratégias de proteção ou reduzindo a exposição a mercados considerados mais vulneráveis a uma alta dos preços.

A preocupação ocorre em um cenário no qual petróleo e gás já pressionaram os mercados globais em 2026.

Uma alta prolongada dos alimentos poderia acrescentar uma nova camada de pressão inflacionária e dificultar o trabalho dos bancos centrais, com possíveis reflexos sobre juros, consumo e atividade econômica.

Para a cadeia de alimentação, o comportamento das commodities agrícolas ao longo dos próximos meses será um dos principais indicadores a acompanhar na preparação para 2027.

Com informações da Bloomberg.

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