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Alerta sobre bebidas adulteradas com metanol preocupa autoridades

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Uma reportagem da EXAME trouxe à tona uma grave preocupação para consumidores e para o setor de foodservice: a suspeita de que o metanol usado na adulteração de bebidas alcoólicas seja o mesmo importado ilegalmente pelo crime organizado para manipulação de combustíveis.

De acordo com a Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF), duas mortes já foram confirmadas na Grande São Paulo em decorrência da ingestão da substância. Além disso, dez casos de intoxicação por bebidas contaminadas estão sob investigação na capital paulista.

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O que é o metanol e por que ele é tão perigoso

O metanol é um álcool simples, incolor e inflamável, com cheiro semelhante ao do álcool comum. Seu uso é autorizado em pequenas proporções para combustíveis — a Agência Nacional do Petróleo permite apenas 0,5% na gasolina e etanol —, mas em quantidades maiores é altamente tóxico. A ingestão ou inalação pode causar náusea, tontura, cegueira e até morte. Pequenas doses já são suficientes para provocar intoxicações graves.

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Ligações com o crime organizado

Segundo a EXAME, investigações recentes apontam que o PCC estaria envolvido na importação irregular de metanol pelo Porto de Paranaguá (PR). Parte do produto, que deveria ser destinado a usos industriais específicos, era desviado e distribuído de forma clandestina. O temor das autoridades é que, com a pressão sobre distribuidoras ligadas ao crime, parte desse metanol tenha sido repassada para destilarias clandestinas e falsificadores de bebidas, ampliando os riscos para os consumidores.

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Impacto econômico e social

O anuário da falsificação da ABCF 2025 aponta que o setor de bebidas foi o mais afetado pelo mercado ilegal no último ano, com perdas estimadas em R$ 88 bilhões — sendo R$ 29 bilhões em sonegação de tributos e R$ 59 bilhões em faturamento perdido pelas indústrias formais. Para além dos números, o impacto direto é na saúde pública, especialmente em regiões de média e baixa renda, onde as bebidas falsificadas circulam com maior intensidade.

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Recomendação do Ministério da Justiça

Diante da gravidade da situação, o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) emitiu uma recomendação urgente a bares, restaurantes, mercados e plataformas de e-commerce para reforçar o controle sobre a origem das bebidas. Entre os sinais de alerta para identificar falsificação estão preços muito abaixo do mercado, lacres irregulares, erros grosseiros de impressão nos rótulos e odor semelhante a solventes.

Caso haja suspeita de produto adulterado, a orientação é interromper a venda imediatamente, preservar os lotes e acionar as autoridades competentes. Em situações de intoxicação, o encaminhamento médico deve ser imediato, além do contato com o Disque-Intoxicação (0800 722 6001).


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Fonte: Exame

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