A trajetória de Alyne Mundt começou de forma simples, muito antes de seu nome se tornar referência nacional no mercado de chocolates profissionais. O primeiro passo foi a produção de doces para brindes. Depois, veio uma pequena loja de bairro em Curitiba, criada para atender confeiteiras locais com produtos voltados ao uso profissional.
O espaço era discreto, o estoque enxuto e o modelo de negócio pouco parecido com o varejo tradicional. Ainda assim, o crescimento era consistente. A explicação estava menos na estrutura e mais na forma de se relacionar com o público.
Em um momento em que o WhatsApp era usado quase exclusivamente como aplicativo pessoal, Alyne passou a utilizá-lo como principal canal de vendas, atendimento e relacionamento com clientes profissionais. O chocolate não esperava o consumidor entrar na loja: chegava diretamente às mãos das confeiteiras.
Essa lógica, hoje bastante difundida no foodservice, ainda era pouco comum na época e ajudou a estruturar um modelo de crescimento baseado em atendimento consultivo, proximidade e escala operacional.
Leitura de mercado e antecipação de movimentos
Em 2019, quando a fabricante belga Barry Callebaut anunciou globalmente o Ruby, primeira nova variedade de cacau descoberta em décadas, Alyne rapidamente identificou o potencial daquele lançamento para o mercado brasileiro.
Em vez de tratar o produto apenas como novidade de portfólio, decidiu criar um evento de lançamento em Curitiba, reunindo chefs, confeiteiros e profissionais do setor para apresentar o chocolate, discutir aplicações e provocar o mercado. O encontro aconteceu no Centro Europeu e se tornou um ponto de atenção para a confeitaria nacional, inserindo o Brasil em uma discussão global sobre inovação no chocolate.
Ao mesmo tempo, a história por trás do negócio — uma empreendedora que vendia toneladas de chocolate por WhatsApp — começou a chamar a atenção da imprensa especializada e generalista.
Visibilidade nacional e reconhecimento fora do Brasil
A combinação entre inovação de produto, modelo de negócio pouco convencional e crescimento consistente levou a trajetória de Alyne a ganhar espaço em veículos como Pequenas Empresas & Grandes Negócios, Exame, UOL, além de emissoras de TV e rádio.
A repercussão ultrapassou o mercado brasileiro. O case chegou à Meta, que convidou Alyne para apresentá-lo internamente, transformando a Feito Chocolate em exemplo oficial do uso do WhatsApp como ferramenta de negócios. Ela passou a participar de eventos e encontros da empresa, compartilhando sua experiência com equipes e parceiros.
Com o aumento da visibilidade, a operação também cresceu. A empresa abriu uma loja maior em Curitiba, inaugurou uma unidade em Londrina, ampliou o mix de produtos e passou a atender um público cada vez mais diverso, mantendo o foco no mercado profissional.
Autoridade construída na prática
Paralelamente à expansão do negócio, Alyne consolidou sua autoridade por meio da participação ativa em eventos técnicos, aulas abertas, encontros profissionais e iniciativas educacionais voltadas à confeitaria e ao chocolate profissional. Desde os primeiros anos da Feito Chocolate, esteve à frente da curadoria e organização de aulas presenciais, demonstrações técnicas e eventos em parceria com chefs, marcas e instituições reconhecidas do setor.
Em diversas ocasiões, assumiu o papel de traduzir conteúdos técnicos complexos — como códigos, especificações e diferenças entre chocolates profissionais — para uma linguagem acessível, ajudando a suprir uma lacuna histórica de informação no mercado.
No relacionamento com a indústria, participou de treinamentos estratégicos e visitas técnicas às unidades da Barry Callebaut, integrando grupos restritos de profissionais convidados pela marca, com acesso direto a processos produtivos e especialistas internacionais. Em momentos sensíveis para o setor, como a recente crise global do cacau, teve atuação ativa ao liderar conversas públicas sobre impactos, planejamento e gestão em cenários de instabilidade.
Em uma dessas iniciativas, promoveu uma live com a participação do diretor-geral da Barry Callebaut Brasil, Bruno Scarpa, antecipando cenários e discutindo medidas práticas com confeiteiras e empreendedores, em um momento em que parte do mercado ainda tratava a situação como passageira.
Também compartilhou conhecimento diretamente da origem, mostrando o caminho do cacau desde o plantio até a chegada à fábrica, aproximando profissionais brasileiras de uma realidade pouco acessível e reforçando seu papel como ponte entre indústria, mercado e base produtiva.
Essas ações fazem parte de uma trajetória contínua de troca com o mercado e compromisso com a formação técnica de um setor historicamente carente de informação estruturada, algo frequentemente debatido em análises e conteúdos publicados no Portal Foodbiz.
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Fonte: Bem Paraná







