Mesmo em um cenário global pressionado pela alta do preço do cacau e pelo aumento dos custos industriais, a Cacau Show entra em 2026 com uma ambição clara: dobrar de tamanho até o fim da década. A meta envolve alcançar R$ 10 bilhões em faturamento no sell-in e cerca de R$ 20 bilhões no sell-out, considerando todas as frentes de negócio do grupo.
Atualmente, a companhia opera com faturamento anual em torno de R$ 5 bilhões no sell-in e aproximadamente R$ 9 bilhões no consumo final. O principal motor desse crescimento segue sendo a Páscoa, responsável por cerca de 23% da receita anual da empresa.
Segundo Alê Costa, fundador e CEO da Cacau Show, a Páscoa de 2026 será a maior da história da marca. A empresa prevê a produção de 25,5 milhões de ovos, com estimativa de participação superior a 50% do mercado. O portfólio da temporada soma 75 produtos, dos quais 46 são lançamentos, incluindo 19 itens licenciados.
Entre as licenças, estão propriedades de forte apelo comercial, como Harry Potter e Patrulha Canina, além de marcas autorais da própria companhia, como Coelho Chefe, Chocobichos, Chocomonstros e laCreme. Esta última, inclusive, passa a ser licenciada para empresas de outros setores, marcando a expansão do ecossistema de marcas da Cacau Show para além do chocolate.
A empresa também projeta crescimento de 13% nas vendas em relação ao ano anterior e a geração de 10.500 empregos temporários durante a sazonalidade. Hoje, o grupo conta com cerca de 2.600 funcionários diretos em suas fábricas, além da força de trabalho das lojas próprias e franqueadas.
A escala industrial da operação começa muito antes da Páscoa. A produção dos itens sazonais teve início em julho de 2025 e segue até março de 2026, com uma capacidade média de 150 toneladas de chocolate por dia, cerca de 40 linhas de produção ativas, além de picos que chegam a 2 toneladas de trufas por hora.
Mesmo diante da inflação da matéria-prima, a companhia optou por preservar a qualidade dos produtos, ainda que isso tenha pressionado margens. A estratégia se reflete em um portfólio amplo, com preços que partem de R$ 9,99 e chegam a produtos premium acima de R$ 1.000, além de linhas zero açúcar, zero lactose, veganas e kosher.
Além da operação comercial, a Páscoa de 2026 também terá forte impacto social. A Cacau Show prevê a doação de 80 toneladas de chocolate para 5 mil instituições em todo o Brasil, por meio de uma articulação entre lojas e o Instituto Cacau Show.
O plano de crescimento até 2030 inclui ainda a abertura de cerca de 250 novas lojas por ano, com potencial para mais mil unidades adicionais no Brasil, além do avanço do Cacau Park, complexo de lazer e entretenimento com investimento estimado em R$ 2 bilhões, previsto para iniciar operações em 2027.
Apesar de já operar exportações pontuais para os Estados Unidos e Colômbia, o foco estratégico da companhia permanece no mercado brasileiro. Para Alê Costa, o ciclo atual é menos sobre promessa e mais sobre execução.
Fonte: exame







