Cleusa Maria da Silva, fundadora da Sodiê Doces, é um exemplo emblemático de superação no empreendedorismo brasileiro. De boia-fria a dona de uma rede com mais de 400 lojas no Brasil e duas nos EUA, ela agora prepara um novo movimento estratégico: entrar no competitivo universo dos chocolates premium.
Quase três décadas após iniciar seu negócio de bolos, Cleusa projeta o lançamento de uma nova linha de bombons e barras de chocolate. O plano é ambicioso: usar as unidades da Sodiê como ponto de partida para a distribuição, enquanto estrutura uma futura rede específica voltada para chocolates. Uma loja conceito está prevista para 2027, em São Paulo, e o plano de expansão não visa centenas de unidades — mas, sim, um crescimento com foco em qualidade e diferenciação.
A nova empreitada conta com a liderança de seu filho, Diego Rabaneda, diretor da empresa, e com um investimento inicial de R$ 20 milhões em uma fábrica dedicada. Parte das lojas da Sodiê já começou a receber os produtos em junho.
Cleusa não esconde a intenção de disputar espaço com grandes marcas como Kopenhagen, Dengo e Cacau Show. E faz isso mantendo uma postura serena: “Vamos começar na linha de Kopenhagen, Dengo e por que não Cacau Show também? Mas com tranquilidade”.
Mesmo com o crescimento dos negócios, ela permanece fiel às origens e à simplicidade. Recém-chegada de uma viagem a Mônaco — onde representou o Brasil em uma premiação da EY com empreendedores de mais de 40 países —, Cleusa surpreende ao contar que nem sabe a marca do vestido de seda que usava na entrevista: comprou porque gostou, não por ostentação. “Nem carro eu tenho”, afirma.
A trajetória da Sodiê, contada no evento internacional, chamou a atenção especialmente pelo início humilde de Cleusa, que trabalhava desde criança nas lavouras, carregando marmita às 4h da manhã. Em um ambiente onde poucos sabiam o que era ser boia-fria, ela levou uma história potente de resiliência e trabalho.
Agora, com o novo projeto, Cleusa acena também para o público fitness: já estuda parcerias para lançar produtos proteicos que não abrem mão do sabor doce — uma tendência em ascensão entre consumidores que buscam indulgência consciente.
Cleusa embarca ainda este ano para a China, onde irá pesquisar soluções inovadoras em embalagens, reforçando o caráter presenteável da nova linha de chocolates.







