Em plena era da conveniência digital, em que os aplicativos de delivery movimentaram mais de R$ 40,5 bilhões em 2023, o Grupo Hungry escolheu seguir por outro caminho. A rede de botecos paulistana, fundada por André Silveira e Mariele Horbach, decidiu que sua força está no atendimento presencial — e não nas entregas.
O resultado? Bares lotados, público fiel e um faturamento previsto de até R$ 17 milhões em 2025, crescendo cerca de 15% ao ano. A meta é chegar a R$ 22 milhões em 2026, quando o grupo deve retomar a expansão com novas unidades em São Paulo.
“Nosso produto não é comida. É experiência”
Para os fundadores, a essência dos negócios está na atmosfera que criaram: samba ao vivo, feijoada de sábado, mesas na calçada e clima de boteco carioca.
“Não faz sentido vender uma coisa que não representa o que somos. Nosso produto não é comida. É ambiente, conversa, experiência. Nada disso chega bem numa caixa”, diz Silveira em entrevista à Exame.
A opção de não depender do delivery começou a se desenhar ainda na pandemia. Na época, o grupo testou os aplicativos, mas percebeu que a margem era baixa e a operação interna ficava confusa. Além disso, os pratos perdiam qualidade no transporte.
Um crescimento sustentado pela proximidade
Fundado em 2012, o Hungry começou com o bar Garota da Vila, na Vila Olímpia, e enfrentou dificuldades iniciais até encontrar seu formato ideal. A virada veio quando Mariele assumiu a cozinha e André passou a focar no atendimento de salão.
Com o tempo, novas casas surgiram — como o Bar Jobim, em Moema, e o Garota da Chácara, na zona sul. Mesmo durante a pandemia, a rede reforçou a proposta de ser “extensão da casa dos clientes”, mantendo viva a relação direta com o público.
Hoje, os botecos se posicionam como espaços de encontro, e não de conveniência. “A gente prefere saber o nome do cliente, receber a mãe dele no sábado, zoar sobre futebol no balcão. Não somos conveniência. Somos entretenimento”, resume Silveira.
Estruturação e futuro
Até pouco tempo atrás, a operação era totalmente familiar. Agora, o grupo conta com áreas administrativas, RH e compras. O foco em 2025 está em fortalecer a gestão e preparar a base para crescer.
O plano de expansão prevê a abertura de uma nova unidade por ano a partir de 2026, sempre com controle direto dos fundadores e, eventualmente, com sócios minoritários. Franquias e delivery estão fora de cogitação.
Enquanto isso, as casas seguem cheias, embaladas por samba, cerveja gelada e a aposta em algo cada vez mais raro: o contato presencial.
Publicado originalmente pela Exame







