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Oxxo acelera expansão no Brasil e mira 1.000 lojas para alcançar breakeven

Após a saída da Raízen da sociedade, a Femsa assume integralmente a operação do Oxxo no Brasil e sinaliza uma nova fase de crescimento mais acelerado. A meta é retomar o ritmo que marcou a chegada da bandeira ao país a partir de 2020 — com foco total no Estado de São Paulo.

Ao fim de 2025, o Oxxo somava 607 lojas distribuídas em 24 cidades paulistas. Para 2026, a companhia prevê a abertura de mais 100 unidades, todas ainda em São Paulo. Em um segundo momento, segundo o CEO da Femsa, Jose Garza-Lagüera, o plano é atingir o ritmo de uma inauguração por dia.

A expansão é vista como peça-chave para que a operação brasileira finalmente atinja o breakeven. Embora a empresa não divulgue um número exato, a estimativa é que o ponto de equilíbrio venha com cerca de 1.000 lojas em operação.

A operação, no entanto, ainda opera no vermelho. Após registrar lucro de R$ 69,9 milhões em 2019-2020 — período em que atuava apenas com as lojas Shell Select — o Grupo Nós acumulou prejuízo líquido de R$ 165,7 milhões no exercício 2022-2023, último resultado disponível.

No quarto trimestre de 2025, a receita avançou 28,7%, enquanto as vendas em mesmas lojas (unidades com ao menos um ano de operação) cresceram 18,3%. Duas lojas foram fechadas no período, ambas da primeira leva inaugurada no país.

Segundo a companhia, dois fatores serão determinantes para sustentar o avanço: manter o crescimento consistente nas vendas em mesmas lojas, diluindo custos operacionais, e capturar ganhos de eficiência na estrutura de despesas, tomando como referência operações como a da Colômbia.

Indicadores operacionais, como rotatividade e custos de contratação e demissão, vêm apresentando melhora ao longo dos últimos meses. A meta é operar com cerca de sete funcionários líquidos por loja, o que deve ajudar a companhia a entender melhor o potencial do mercado brasileiro — estimado entre 5 mil e 10 mil unidades no longo prazo.

Hoje, o Oxxo no Brasil opera com margem bruta próxima de 38%. As categorias de alimentos e café aparecem como apostas estratégicas, com boa aceitação e margens relevantes — cerca de 20% das vendas já vêm da área de alimentação. Produtos de consumo por impulso, como cervejas e itens para encontros rápidos, também ganham espaço no mix.

Além disso, a empresa começa a testar no Brasil serviços já consolidados no México, como a venda de cartões-presente para jogos e outros varejistas, ampliando sua proposta de valor e reforçando o posicionamento de conveniência.

Para a Femsa, a parceria com a Raízen foi importante na fase inicial, especialmente no aprendizado sobre expansão, licenças e estruturação da operação. Agora, a avaliação é de que o negócio está pronto para seguir de forma independente — e que o espaço para crescimento no país ainda é significativo.

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