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Como a Baurucas virou referência em pipoca gourmet e faturamento de R$ 23 milhões

Bruno de Lima/Divulgação

No Rio de Janeiro, o comércio ambulante sempre funcionou como um laboratório vivo para novos negócios. São mais de 73 mil ambulantes na região metropolitana, e é ali — nas ruas, sob pressão constante — que muitos empreendedores testam produtos, validam preços e descobrem seu público.

Foi exatamente nesse ambiente que nasceu a Baurucas, marca criada pelo casal Maurício Matheus e Andressa Martins, de Campo Grande (zona oeste do Rio). O que começou como um carrinho de rua vendendo pipoca gourmet hoje se transforma em uma rede estruturada, com 43 lojas e uma estratégia clara de expansão nacional.

A origem: investimento mínimo e uma visão grande

A Baurucas surgiu em 2018 com o pouco que o casal tinha: R$ 3.000 da rescisão de Maurício e R$ 900 que Andressa guardava para tirar a carteira de motorista. As primeiras pipocas eram vendidas em três tamanhos, com preços entre R$ 4 e R$ 10.

O começo foi difícil: no primeiro dia, as vendas quase não aconteceram — e o feedback era direto, dizendo que o preço parecia alto para “uma pipoca de carrinho”. A virada de entendimento veio quando os fundadores perceberam que seu produto não competia com o pipoqueiro tradicional, e sim com consumidores em busca de algo mais especial. O episódio que marcou essa percepção foi quando um casal de catadores de latinha pagou R$ 4 pela pipoca sem questionar. Ali eles decidiram: não abaixariam mais o preço.

Da rua ao shopping

O negócio ganhou ritmo quando o casal conseguiu um ponto na rodoviária de Campo Grande, onde passou a faturar cerca de R$ 200 por dia. Mas o salto real veio com a entrada no Park Shopping Campo Grande, em outubro de 2019, onde faturaram R$ 35 mil no primeiro mês.

A pandemia interrompeu a operação física, mas abriu outra porta: o iFood. O delivery revelou um cliente fiel e disposto a gastar mais — havia consumidores que compravam seis a dez vezes por mês, acumulando cerca de R$ 250 mensais apenas em pipoca.

Com essa demanda, a marca realizou seu primeiro rebranding em 2021, preparando-se para ingressar em shoppings mais robustos, como o Barra Shopping, onde o faturamento saltou de R$ 25 mil para R$ 80 mil após mudança de ponto.

O franchising como virada estratégica

Em 2022, a Baurucas se tornou uma franquia. A primeira negociação já envolveu três unidades de um único investidor — o que garantiu estrutura para finalizar o modelo e escalar o negócio. O perfil dos franqueados também chamou atenção: 80% já eram empresários, muitos deles casais, familiarizados com a operação de shopping e com o ticket médio da categoria.

Em 2023, foram abertas 15 unidades, e até o final de 2024 a marca já somava 43 lojas em operação e 50 comercializadas. Somente em royalties, a franqueadora recebe cerca de R$ 1,7 milhão por mês. Considerando fábrica, lojas próprias, franquias e a franqueadora, o grupo deve encerrar o ano com R$ 25 milhões de faturamento.

Expansão para novos mercados

A marca inicia agora sua expansão para fora do Rio de Janeiro, com inaugurações em São Paulo e Minas Gerais já no início de dezembro. O foco está em shoppings populares e de alto fluxo, especialmente no Sudeste, região que concentra 60% do consumo de pipoca do país.

Entre as próximas unidades estão:

  • Gran Plaza Shopping (Santo André)
  • Super Shopping Osasco
  • Max Shopping Jundiaí
  • Juiz de Fora (em janeiro)

Segundo Maurício, o objetivo é claro: estar presente nos maiores centros comerciais da região Sudeste. “A missão da Baurucas sempre foi transformar o consumo de pipoca no Brasil, entregando um momento especial na rotina das pessoas.”

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Matéria adaptada de reportagem publicada pela Exame

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