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FoodBiz

O que o tarifaço dos EUA tem a ver com a pizza de sexta-feira?

Mesmo sem exportar ou importar produtos, pizzarias, padarias e pequenos comércios podem sentir os reflexos das novas tarifas americanas por meio do aumento dos custos de produção, da logística e da reorganização da economia. Especialista explica por que decisões tomadas a milhares de quilômetros de distância podem chegar à mesa dos brasileiros.

As novas tarifas de 25% impostas pelos Estados Unidos sobre parte das exportações brasileiras já afetam bilhões de dólares em produtos destinados ao mercado americano e levaram o governo federal a anunciar um pacote de R$ 18,5 bilhões para apoiar empresas atingidas pela medida.

Embora alimentos como café, carne bovina e suco de laranja tenham ficado fora da lista de produtos tarifados, especialistas alertam que os efeitos indiretos podem alcançar empresas que nunca venderam um único produto ao exterior.

Para Felipe Oliveira, contador, advogado e especialista em tributação empresarial, o consumidor costuma imaginar que uma guerra comercial interessa apenas às grandes exportadoras. Na prática, porém, toda a cadeia econômica pode ser impactada. “Quando uma grande economia muda as regras do comércio internacional, empresas precisam reorganizar fornecedores, renegociar contratos e absorver novos custos. Esse movimento acaba chegando ao pequeno empresário e, muitas vezes, ao consumidor.”

Uma pizzaria é um exemplo de como esses impactos podem se espalhar pela economia. Mesmo sem importar ingredientes diretamente, o negócio depende de embalagens, energia elétrica, combustíveis, transporte, equipamentos, produtos de limpeza e uma série de insumos cujos preços podem sofrer pressão em momentos de instabilidade econômica e cambial.

Além disso, parte da farinha de trigo utilizada pela indústria alimentícia brasileira depende do mercado internacional. Oscilações no câmbio ou mudanças no fluxo global de comércio podem influenciar o custo dessa matéria-prima e, consequentemente, o preço de produtos derivados.  “Nem sempre o aumento acontece imediatamente nem pode ser atribuído a um único fator. O que ocorre é uma soma de pressões sobre custos que, em algum momento, pode exigir reajustes para manter a operação financeiramente saudável.”

Segundo o especialista, o mesmo raciocínio vale para padarias, restaurantes, hamburguerias, supermercados e pequenos comércios. Em um mercado globalizado, decisões tomadas por grandes economias alteram cadeias de fornecimento, estratégias de produção e custos operacionais, mesmo para empresas que atuam exclusivamente no mercado interno.

Felipe destaca que esse cenário exige atenção redobrada dos empresários.  “Mais do que acompanhar as notícias, é importante entender como mudanças econômicas afetam o caixa da empresa. Revisar contratos, controlar custos e acompanhar a evolução da carga tributária passam a ser medidas estratégicas para preservar a competitividade.”

Para o consumidor, a recomendação é evitar conclusões precipitadas. O tarifaço não significa que a pizza ficará mais cara de um dia para o outro. Mas ele reforça uma característica da economia moderna: uma decisão tomada em outro país pode desencadear efeitos indiretos que chegam, pouco a pouco, ao bolso dos brasileiros.

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