A comida sempre desempenhou um papel central nas celebrações culturais, simbolizando muito mais do que nutrição: ela é união, afeto e tradição. No entanto, ao olharmos para o horizonte de 2026, percebemos que o setor caminha para uma transformação sem precedentes, onde a ciência da saúde se funde com um desejo quase nostálgico pela simplicidade e pelas raízes.
Com base na minha experiência de mais de seis anos como chef na Cargill, acompanhando de perto as constantes mudanças e inovações do setor, observo que estamos testemunhando o fim das dietas rígidas e uma migração definitiva para regimes variados, equilibrados e cada vez mais personalizados conforme o estilo de vida de cada um.
Com o auxílio da tecnologia para guiar escolhas mais inteligentes e diversas, o novo perfil de consumo prioriza proteínas de alta densidade e fibras em porções nutricionalmente ricas. O foco agora vai além da simples restrição: busca-se preservar a saúde, o desempenho e o vigor físico de forma estratégica e adaptada à rotina pessoal.
No entanto, quanto mais avançamos na tecnologia, mais buscamos conforto no passado. A tendência que chamamos de “newstalgia” resgata hábitos e ingredientes tradicionais que pareciam esquecidos.
Essa busca pelo autêntico também impulsiona o uso de plantas nativas e estimulantes naturais para o bem-estar cognitivo, como o cogumelo juba de leão (Lion’s Mane), o novo aliado do foco e clareza mental, além do uso de ingredientes históricos, porém adaptados ao paladar moderno, a exemplo do yaupon, planta nativa do sudeste dos EUA, com folhas ricas em cafeína que proporcionam um excelente chá estimulante.
O paladar de 2026 é audacioso e sensorialmente complexo. Veremos uma ascensão vibrante da cozinha caribenha — intensa e movida a rum — e a consolidação de uma culinária indiana sofisticada que rompe barreiras geográficas.
Ingredientes como o gochujang coreano, o mel apimentado e a gordura de Wagyu trazem camadas de profundidade que a Geração Z, especialmente, está ávida por explorar. A textura também ganha protagonismo absoluto, onde experiências multissensoriais que combinam o crocante liofilizado com a indulgência do cremoso elevam o ato de comer a uma forma de terapia alimentar e entretenimento.
Por fim, a responsabilidade climática molda aquilo que comemos. O futuro da cozinha é elétrico; a pegada de carbono está levando o setor a abandonar o gás em favor de equipamentos de indução de alta performance. Até mesmo vegetais antes subestimados ganham status de protagonismo em uma estética de desperdício zero, focada na versatilidade total do ingrediente.
O prato de 2026 será, portanto, este equilíbrio perfeito: o conforto do que é ancestral, servido com a precisão tecnológica do futuro.
*O chef Luis Nicolette lidera a área de desenvolvimento culinário para R&D Latam







