O avanço do consumo de alimentos ultraprocessados nas Américas tem elevado significativamente a ingestão de sódio pela população e aumentado preocupações relacionadas à saúde pública. O alerta foi reforçado pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) durante a Semana de Conscientização sobre o Sal, encerrada neste domingo.
Segundo a entidade, produtos industrializados como refeições congeladas, embutidos, salgadinhos, macarrão instantâneo e temperos prontos já representam cerca de 80% do sódio consumido diariamente pela população da região. O cenário acompanha a expansão do consumo de ultraprocessados e pressiona governos a adotarem medidas regulatórias mais rígidas.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que adultos consumam no máximo 2 mil miligramas de sódio por dia — equivalente a cerca de uma colher de chá de sal. No entanto, o consumo médio permanece acima do limite em diversos países das Américas.
Para Erika Campana, presidente do Departamento de Hipertensão da Sociedade Brasileira de Cardiologia, o excesso de sódio impacta diretamente o funcionamento do organismo e aumenta o risco de hipertensão, doenças cardiovasculares, AVC, insuficiência cardíaca e problemas renais.
Segundo especialistas, o principal desafio não está apenas no sal adicionado às refeições, mas no sódio “invisível” presente em produtos industrializados consumidos diariamente.
A Opas também reforçou a importância de políticas públicas voltadas à rotulagem frontal de alimentos, permitindo que consumidores identifiquem com mais clareza produtos com excesso de sódio. Países como México, Argentina e Colômbia já adotaram modelos de advertência em embalagens e registraram redução no consumo de alimentos ricos em sal.
Outro ponto destacado pela organização é a pressão exercida pela indústria alimentícia contra medidas regulatórias mais rígidas. Segundo Fabio da Silva Gomes, assessor em nutrição e atividade física da Opas, empresas frequentemente contestam estudos científicos e recorrem a ações judiciais para retardar regulamentações sobre publicidade e composição nutricional dos produtos.
Além da rotulagem, a entidade defende restrições à oferta de ultraprocessados em escolas e maior controle sobre publicidade de alimentos direcionada ao público infantil.
O debate ocorre em meio ao crescimento global da preocupação com alimentação saudável, transparência nutricional e impacto dos ultraprocessados no sistema de saúde — temas que ganham cada vez mais espaço dentro da indústria de alimentos e do foodservice, acompanhados de perto pelo Portal Foodbiz.







