A sustentabilidade já não é mais uma pauta restrita a grandes empresas ou iniciativas estruturadas. Na Expo Favela Innovation Rio 2026, realizada no Museu do Amanhã, o tema apareceu com força a partir de outra perspectiva: a das periferias, onde criatividade e necessidade caminham juntas para transformar resíduos em oportunidade.
Ao longo do evento, empreendedores mostraram como a reciclagem e o reaproveitamento de materiais vêm se consolidando como base para negócios viáveis — e, mais do que isso, como estratégia de geração de renda e impacto social.
Um dos exemplos é o de Paulo Ney Gregório, que coleta lacres de latinhas descartadas nas praias do Rio de Janeiro e os transforma em bolsas artesanais. O que poderia ser apenas lixo ganha valor por meio de um processo manual que une técnica, propósito e geração de renda.
Essa lógica também aparece em iniciativas mais estruturadas, como o projeto Revlog Ambiental. A partir do reaproveitamento do coco verde — resíduo comum no litoral — o projeto desenvolve produtos como biocarvão, fibras para hortas e insumos para paisagismo e bioenergia. Na prática, trata-se da construção de uma cadeia produtiva baseada em economia circular.
Na moda, o reaproveitamento de materiais também se conecta a temas como identidade e inclusão. Marcas como a Retalhos Cariocas e a Pathy Jeans utilizam resíduos têxteis, garrafas PET e jeans descartados para criar peças autorais, ao mesmo tempo em que promovem capacitação e geração de renda para mulheres das comunidades onde atuam.
O que une esses projetos é menos o material utilizado e mais a lógica por trás deles: enxergar valor onde antes havia descarte. E é justamente esse ponto que conecta essas iniciativas ao foodservice.
Para bares, restaurantes e operadores do setor, o avanço da economia circular deixa de ser tendência e passa a ser prática possível. Seja no reaproveitamento de insumos, na redução de desperdícios ou na criação de novas cadeias a partir de resíduos orgânicos, o movimento aponta para modelos mais eficientes — e cada vez mais valorizados pelo consumidor.
A Expo Favela mostra que inovação não depende necessariamente de tecnologia sofisticada, mas de olhar atento para o território, para os recursos disponíveis e para as demandas reais da sociedade.
E talvez o principal insight esteja aí: sustentabilidade, quando conectada a propósito e viabilidade econômica, deixa de ser discurso e passa a ser modelo de negócio.
Fonte: Extra







