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Plano do governo Lula sobre clima causa tensão com o agronegócio

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Às vésperas da COP-30, conferência do clima da ONU que será sediada em Belém (PA) em 2025, o Plano Clima elaborado pelo governo federal tem provocado atritos entre o Ministério do Meio Ambiente e o agronegócio, um dos setores mais relevantes da economia brasileira.

A proposta, que estabelece metas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa em diferentes áreas produtivas, desagradou representantes do setor agropecuário. O motivo: os cálculos apresentados pelo governo indicam que o agro seria responsável por 70% das emissões nacionais, ultrapassando o setor de energia.

Segundo apuração do Estadão, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva trabalha para ajustar a metodologia e pode reduzir em até 30% o volume de emissões inicialmente atribuído ao agronegócio. A revisão deve ser apresentada antes da COP-30, mas ainda há divergências internas entre os ministérios envolvidos.

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O que está em jogo

A versão preliminar do Plano Clima previa que o agro reduzisse suas emissões em 36% até 2030 e 54% até 2035. Entidades como a Sociedade Rural Brasileira (SRB) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) criticam o modelo, alegando que ele inclui desmatamentos em assentamentos e comunidades tradicionais, o que distorceria os números do setor.

Além disso, o plano não consideraria as remoções de carbono resultantes de práticas de agricultura de baixo carbono e da manutenção de áreas preservadas — como Reservas Legais e Áreas de Preservação Permanente (APPs).

Para os representantes do agronegócio, isso prejudica a imagem internacional do Brasil e pode gerar barreiras comerciais, principalmente na União Europeia, que adota exigências ambientais mais rígidas.

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Ambientalistas pedem metas mais ousadas

Por outro lado, ambientalistas defendem que o plano mantenha metas ambiciosas. Para eles, o setor precisa reconhecer seu papel no aumento das emissões de metano e no desmatamento ligado à expansão de pastagens, especialmente na Amazônia e no Cerrado.

O Observatório do Clima, que reúne mais de 130 organizações da sociedade civil, enviou uma carta ao Ministério do Meio Ambiente pedindo que o governo endureça as metas e só contabilize como remoções as áreas que preservem mais do que o exigido pelo Código Florestal.

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Próximos passos

Diante da pressão de todos os lados, o Ministério do Meio Ambiente iniciou uma revisão técnica do Plano Clima. A expectativa é que a nova versão exclua emissões de assentamentos rurais e territórios quilombolas das contas do agro, conforme explicou o secretário nacional de Mudança do Clima, Aloísio Lopes de Melo, em entrevista ao Estadão.

O impasse, porém, ainda não está resolvido. Segundo fontes da pasta, o tema será levado à Casa Civil, que deverá decidir sobre o formato final do plano antes de sua apresentação oficial na COP-30.


📍 Esta matéria foi originalmente publicada pelo Estadão e adaptada pelo Portal Foodbiz

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