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FoodBiz

Do laboratório à embalagem: como a ciência protege e prolonga a vida útil dos alimentos

Antes de chegar à embalagem, um alimento passa por estudos para determinar seu shelf life, ou seja, por quanto tempo mantém suas características esperadas sob determinadas condições de armazenamento. Os resultados dessas avaliações, que combinam análises físico-químicas e sensoriais, ajudam a estabelecer o prazo de validade informado ao consumidor.
 

Para entender como um alimento se comporta ao longo de sua vida útil, é preciso avaliar situações que reproduzam diferentes cenários de armazenamento e consumo. Por isso, os estudos de shelf life podem considerar condições como ambiente, acelerada, refrigerada e após a abertura, cada uma voltada a observar um aspecto diferente da estabilidade. Na condição ambiente, as amostras são mantidas em temperaturas próximas às de armazenamento convencional. Já a avaliação acelerada utiliza temperaturas mais altas para antecipar possíveis alterações e observar, em menos tempo, mudanças que poderiam levar meses para aparecer.

Em um estudo recente conduzido pela Cargill, essas condições foram avaliadas a aproximadamente 20°C e 35°C.Já a condição refrigerada permite acompanhar o comportamento do alimento sob temperaturas mais baixas, enquanto o teste após a abertura reproduz a etapa em que ele já está em uso pelo consumidor e volta a ser armazenado.
 

“Cada produto tem seu próprio comportamento ao longo do tempo. O nosso trabalho é entender quais alterações acontecem, em que momento elas aparecem e se são perceptíveis. Assim, estabelecemos um prazo de validade que mantém também a qualidade compatível com as características originais da formulação e que garante segurança para o consumidor”, explica Ana Fonseca, engenheira de alimentos da Cargill, uma das maiores empresas fornecedoras de alimentos do mundo.
 

Estudos como esse são feitos no Centro de Inovação da Cargill, em Campinas (SP), que completou 15 anos em 2026 e reúne uma estrutura dedicada à pesquisa e ao desenvolvimento de alimentos. O espaço conta com uma estrutura de laboratórios dedicados às pesquisas da indústria de alimentos, sendo uma das referências para tratar de shelf life.
 

Compromisso que acompanha o produto até o consumidor

“Na prática, o estudo começa com a preparação das amostras, que são acompanhadas ao longo do tempo nas condições definidas para cada protocolo. Em intervalos determinados, avaliamos as características do alimento e comparamos os resultados para identificar quando começam a surgir alterações e como elas evoluem”, ressalta Ana.

A jornada da ciência, no entanto, não termina quando o lacre é rompido. Em um dos protocolos, itens destinados ao varejo e ao food service foram acompanhados por 30 dias após a abertura, sob refrigeração. Em conjunto, as avaliações permitem identificar quando surgem alterações, como elas evoluem e se podem afetar as características esperadas.

“A segurança do alimento está diretamente ligada à forma como a indústria controla todo esse processo. Não trabalhamos apenas para definir uma data na embalagem, mas para assegurar que, durante o período estabelecido, o produto permaneça dentro dos parâmetros de qualidade e segurança definidos para aquela formulação. Isso dá previsibilidade para a indústria, para quem comercializa o alimento e, principalmente, para quem vai consumi-lo”, conclui a engenheira de alimentos.

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