A escalada das tensões comerciais entre Estados Unidos e Canadá amplia a preocupação do setor agroalimentar com custos, cadeias de abastecimento e preços dos alimentos. Embora boa parte do comércio agrícola entre os dois países permaneça amparada pelo acordo comercial USMCA, as novas tarifas atingem setores diretamente ligados à produção e à distribuição.
Desde 22 de agosto de 2026, os Estados Unidos aplicam tarifas adicionais de até 50% sobre determinados produtos canadenses. Em resposta, o governo canadense anunciou contramedidas sobre C$ 27,6 bilhões em importações norte-americanas, que entram em vigor em 8 de setembro. As alíquotas serão de 15%, 25% ou 50%, dependendo do produto.
Entre os setores alcançados pela resposta canadense estão lácteos, máquinas e equipamentos agrícolas, aço, papel e celulose, eletrodomésticos e eletrônicos.
Agricultura acompanha avanço das tarifas
A preocupação do setor vai além dos produtos diretamente tarifados. Estados Unidos e Canadá possuem cadeias agroalimentares altamente integradas, envolvendo produção agrícola, processamento, equipamentos, logística e distribuição.
O comércio bilateral de produtos agrícolas e agroalimentares movimentou US$ 74,3 bilhões em 2024, segundo dados oficiais do governo canadense.
Nesse cenário, novas barreiras podem elevar o custo de diferentes etapas da cadeia, principalmente quando matérias-primas, componentes ou produtos atravessam a fronteira durante o processo de produção.
Máquinas agrícolas estão entre os itens atingidos pelas contramedidas canadenses, acrescentando uma nova variável aos investimentos dos produtores rurais.
Custos podem chegar à cadeia de alimentos
A ampliação das tarifas também aumenta a atenção sobre possíveis reflexos para fabricantes e consumidores.
Além da produção agrícola, as cadeias entre os dois países envolvem embalagens, equipamentos, insumos industriais, transporte e processamento. O encarecimento de algumas dessas etapas pode pressionar as margens das empresas e, dependendo da duração e da abrangência das medidas, chegar aos preços finais.
O risco é especialmente relevante para pequenas e médias empresas, que geralmente possuem menor capacidade para absorver custos adicionais ou substituir fornecedores rapidamente.
Os lácteos estão entre os setores diretamente envolvidos nas medidas anunciadas pelos dois países. O Canadá incluiu produtos do segmento em sua nova rodada de contramedidas, enquanto o governo norte-americano também adotou tarifas adicionais relacionadas ao mercado canadense de lácteos.
Cadeia integrada aumenta exposição ao conflito
A relação entre os dois mercados ajuda a dimensionar os possíveis efeitos da disputa. Canadá e Estados Unidos construíram ao longo das últimas décadas uma cadeia agroalimentar fortemente conectada, na qual produtores e indústrias dependem de fornecedores e compradores dos dois lados da fronteira.
Com o avanço das tarifas, empresas precisam acompanhar não apenas o impacto direto sobre exportações e importações, mas também possíveis mudanças nos custos de produção, logística e abastecimento.
A disputa ocorre ainda em um período de revisão das relações comerciais entre os países, aumentando a incerteza para decisões de investimento e planejamento de longo prazo.
Para o setor de alimentos, o principal ponto de atenção será até onde as barreiras comerciais avançam sobre uma cadeia que movimenta dezenas de bilhões de dólares por ano e está profundamente integrada entre os dois mercados.







