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Sustentabilidade alimentar ainda é pouco compreendida no Brasil

Foto: Daniel Teixeira/Estadão Blue Studio

A sustentabilidade nos sistemas alimentares ainda é pouco compreendida por boa parte dos brasileiros. Conteúdo publicado pelo Estadão mostra que, embora o tema tenha ganhado espaço no debate público, ele ainda aparece de forma distante da rotina do consumidor.

Segundo reportagem do Estadão Blue Studio, uma pesquisa da Ajinomoto do Brasil em parceria com a Nexus indica que 50% dos brasileiros já ouviram falar em sistemas alimentares sustentáveis, mas 80% ainda não reconhecem selos e certificações ligados à qualidade e à sustentabilidade dos alimentos.

O tema foi discutido no encontro Meet Point Estadão Think, que abordou os desafios da indústria de alimentos na construção de sistemas alimentares mais sustentáveis. O debate foi mediado pela jornalista Camila Silveira e contou com a participação de César Augusto Vilela, diretor de Food Ingredients e Agronegócios da Ajinomoto do Brasil.

Segundo Vilela, o principal desafio não está na rejeição ao tema, mas na dificuldade de conectá-lo com a vida cotidiana das pessoas. Para ele, quando a sustentabilidade é apresentada como algo distante, acaba sendo percebida como um conceito abstrato. O caminho, portanto, passa por traduzir o tema em ações concretas e reconhecíveis para o consumidor, como descarte correto e valorização de práticas responsáveis.

A pesquisa citada na reportagem reforça essa percepção. Quando o conceito de sistemas alimentares sustentáveis é explicado, 60% dos entrevistados passam a considerá-lo importante. A relevância cresce ainda mais quando o assunto é associado ao futuro do planeta: 68% avaliam a sustentabilidade na produção e no consumo de alimentos como extremamente ou muito relevante.

Durante a conversa, Vilela também apresentou metas ambientais da Ajinomoto do Brasil, como reduzir em 50% as emissões de gases de efeito estufa até 2030 e alcançar uma cadeia de suprimentos 100% sustentável para matérias-primas críticas.

Outro exemplo citado foi o Biociclo, modelo circular adotado pela empresa que reaproveita coprodutos do processo industrial. No sistema, a cana-de-açúcar é utilizada na fermentação para extração de aminoácidos e os resíduos restantes são transformados em fertilizantes que retornam ao campo, reforçando a lógica de economia circular.

A reportagem também destaca a AminoScience, abordagem científica baseada no estudo dos aminoácidos. A aplicação dessa ciência permite, por exemplo, reduzir até 37% do teor de sódio em receitas com o uso do glutamato monossódico, mantendo o sabor dos alimentos.

Para o executivo, sustentabilidade e eficiência econômica não precisam caminhar em direções opostas. Reduzir desperdícios no campo e na indústria, além de desenvolver produtos que ajudem o consumidor a fazer escolhas mais equilibradas, são caminhos para tornar o conceito mais tangível.

Um dos principais desafios está fora da indústria: a comunicação com o consumidor. Explicar os benefícios ambientais e produtivos por trás das decisões da cadeia de alimentos é essencial para que inovação e educação avancem juntas e aproximem os sistemas alimentares sustentáveis do dia a dia da população.

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