O mercado de bebidas funcionais segue em expansão e tem atraído investimentos de grandes empresas de alimentos e bebidas. De cafés enriquecidos com proteína a refrigerantes prebióticos e bebidas com ingredientes como CBD, magnésio e adaptógenos, a categoria se consolida como uma das principais apostas da indústria para atender consumidores que buscam saúde, conveniência e bem-estar.
Avaliado em aproximadamente US$ 160 bilhões, o segmento reúne produtos que prometem combinar sabor com benefícios nutricionais e funcionais, tornando-se um dos mercados de maior crescimento global.
Gerações mais jovens impulsionam consumo
Segundo levantamento da EY realizado com consumidores dos Estados Unidos e do Brasil, 75% dos millennials e 80% da geração Z consomem bebidas funcionais.
A pesquisa também aponta que mais da metade dos entrevistados está disposta a pagar mais por produtos que contribuam para seus objetivos de saúde e qualidade de vida.
Outro dado reforça a mudança de comportamento. O relatório Beverage Evolution 2026, da Circana, mostra que 64% dos consumidores substituem ocasionalmente um lanche por uma bebida, percentual que chega a 70% entre pessoas de 25 a 34 anos.
Para Sally Lyons Wyatt, vice-presidente executiva global da Circana, os consumidores buscam produtos que entreguem benefícios além da hidratação.
“As bebidas funcionais são bebidas que vão proporcionar um resultado. As pessoas querem que aquilo que consomem trabalhe mais por elas.”
Starbucks amplia aposta em cafés proteicos
Entre as empresas que avançam nessa categoria está a Starbucks, que lançou cafés com proteína em lojas dos Estados Unidos, Canadá e Europa. A iniciativa amplia a linha de bebidas proteicas pronta para consumo já comercializada em supermercados.
Segundo Sam Henderson, gerente de desenvolvimento de bebidas da Starbucks para a região EMEA, a proteína lidera o movimento das bebidas funcionais.
“Estamos vendendo quase a mesma quantidade de espuma fria com proteína que de flat whites, uma das bebidas mais populares da Starbucks.”
Coca-Cola, PepsiCo e Danone ampliam investimentos
O interesse pelo segmento também movimenta aquisições e lançamentos.
A Coca-Cola lançou nos Estados Unidos a marca de refrigerantes prebióticos Simply Pop, enquanto a PepsiCo adquiriu a startup Poppi por aproximadamente US$ 2 bilhões, reforçando sua presença na categoria.
Já a Danone anunciou a aquisição da Huel, fabricante de bebidas proteicas voltadas à substituição de refeições, em uma operação avaliada em cerca de US$ 1,15 bilhão.
Produtos premium ganham espaço
Além do crescimento da demanda, as bebidas funcionais também vêm impulsionando estratégias de premiumização.
Na Starbucks, cafés proteicos custam mais do que as bebidas tradicionais, enquanto ingredientes funcionais podem ser adicionados mediante cobrança adicional.
No Reino Unido, a startup Trip aposta em bebidas com CBD, magnésio e extratos botânicos, posicionando seus produtos como soluções voltadas ao bem-estar e à clareza mental.
Segundo Olivia Ferdi, cofundadora da empresa, o consumidor está disposto a pagar mais por benefícios percebidos.
“Nossos consumidores não estão pagando apenas por refrescância; eles estão investindo em um benefício funcional.”
Redes sociais aceleram tendência
A popularização das bebidas funcionais também passa pelas redes sociais.
Segundo dados da Datassentials, 72% da geração Z acompanha tendências de alimentação, bebidas e bem-estar por plataformas digitais.
Para Olivia Ferdi, as redes sociais transformaram esse tipo de produto em um elemento de estilo de vida.
“As bebidas funcionais se tornaram um símbolo de status. Escolher uma bebida voltada ao bem-estar passou a representar uma forma de expressão para muitos consumidores.”
Mercado ainda enfrenta questionamentos
Apesar do crescimento, especialistas alertam que parte dos benefícios atribuídos a ingredientes como magnésio, colágeno, CBD e adaptógenos ainda carece de evidências científicas mais robustas.
Autoridades regulatórias em diferentes países também acompanham de perto as alegações de saúde utilizadas pelas marcas. No Reino Unido, por exemplo, a Advertising Standards Authority (ASA) determinou a retirada de uma campanha da Trip após considerar que a comunicação fazia promessas de benefícios à saúde sem comprovação suficiente.
Ainda assim, a combinação entre conveniência, saudabilidade e inovação deve manter as bebidas funcionais entre as principais tendências para a indústria de alimentos, bebidas e foodservice nos próximos anos.







