Por muito tempo, a cerveja sem álcool foi vista como uma alternativa sem graça para quem apreciava a bebida tradicional. Mas essa percepção está mudando rapidamente — e os números comprovam.
Segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária, o consumo de cervejas sem álcool cresceu cerca de 600% em 2024. O movimento acompanha o avanço das chamadas “cervejas balanceadas”, com baixo teor alcoólico, menos calorias e opções sem glúten — um reflexo claro da busca por hábitos mais equilibrados.
Entre os exemplos de sucesso, a Stella Pure Gold, da Ambev, já responde por 30% das vendas da marca Stella Artois no país e será exportada para outros mercados do grupo. As versões Corona Cero, Bud Zero e Brahma 0,0% também registraram aumento de 15% nas vendas no segundo semestre de 2025.
“Queremos oferecer novas ocasiões em que o consumo equilibrado faça sentido. A ideia é mostrar que cerveja é muito mais do que álcool”, explica Gustavo Castro, diretor de Estratégia e Insights da Ambev.
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O sabor como protagonista
A principal mudança está no sabor — hoje, muito mais próximo ao da versão tradicional. O avanço vem de investimentos em tecnologia e inovação nos processos de fermentação.
Antigamente, a produção era interrompida antes da formação do álcool, o que alterava o gosto da bebida. Agora, a fermentação ocorre normalmente, e o álcool é removido completamente ao final do processo, mantendo o perfil sensorial da cerveja original.
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Um mercado em expansão
Mesmo com o salto nas vendas, as cervejas sem álcool ainda representam 4,9% do mercado nacional, segundo o Anuário da Cerveja (MAPA e Sindicerv). A expectativa da indústria é que o Brasil alcance níveis semelhantes aos da Espanha, onde o segmento responde por 6% a 7% do total.
Importante notar que o crescimento das versões zero não reduziu o consumo das cervejas tradicionais — pelo contrário, ampliou o público e as ocasiões de consumo.
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O que o consumidor busca
Pesquisa da Brazil Panels e Conexão Vasques revelou que 61,6% dos consumidores escolhem a marca de cerveja com base no gosto — um dado que reforça o papel da qualidade sensorial nas estratégias das cervejarias.
O Brasil, atualmente o 3º maior mercado cervejeiro do mundo, tem mais de 55 mil marcas registradas no Ministério da Agricultura, e continua sendo um terreno fértil para inovação e diversificação de portfólio.







