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Cervejas sem glúten ganham espaço no mercado impulsionadas pelas artesanais

O mercado de cervejas sem glúten avança de forma consistente no Brasil e deixa de ser um nicho restrito para entrar no planejamento estratégico de cervejarias artesanais e grandes indústrias. O movimento reflete mudanças no comportamento do consumidor, maior acesso à informação sobre restrições alimentares e a busca por alternativas mais alinhadas a escolhas individuais.

Nos últimos anos, microcervejarias brasileiras passaram a desenvolver receitas próprias sem glúten. As soluções variam entre o uso de grãos alternativos à cevada e ao trigo, como sorgo, arroz e milho, e a aplicação de tecnologias capazes de reduzir a presença da proteína durante o processo produtivo. Esse avanço técnico permitiu ampliar a variedade de estilos disponíveis no mercado.

Paralelamente, grandes grupos cervejeiros também passaram a investir nesse segmento. A InBev, controladora da Ambev, lançou no Brasil uma versão sem glúten da Stella Artois e apresentou a Michelob como uma alternativa voltada a consumidores que evitam o glúten. Já a Heineken Brasil incluiu no portfólio nacional a Amstel sem glúten, ampliando a distribuição desse tipo de produto no país.

Esse movimento contribui para tornar as cervejas sem glúten mais acessíveis e visíveis nas prateleiras, reduzindo a distância entre produtos artesanais e industriais e fortalecendo o segmento como parte do mercado regular.

Um público diverso e atento às escolhas alimentares

O consumo de cervejas sem glúten atende a perfis variados. Entre eles estão pessoas com doença celíaca, que precisam eliminar completamente o glúten da alimentação, e consumidores com sensibilidade ao glúten não celíaca, que relatam desconfortos após o consumo de cervejas tradicionais. Há ainda quem opte por essas versões por preferência pessoal ou por adotar uma dieta mais controlada, mesmo sem restrição médica formal.

O glúten é um conjunto de proteínas presente principalmente no trigo, na cevada e no centeio. Na cerveja tradicional, a cevada maltada é a principal fonte dessas proteínas. Em pessoas com doença celíaca, o consumo de glúten desencadeia uma resposta imunológica que afeta o intestino delgado e compromete a absorção de nutrientes.

As cervejas sem glúten podem ser produzidas por dois caminhos principais. Um deles utiliza matérias-primas naturalmente livres de glúten. O outro mantém a cevada na receita, mas aplica enzimas que quebram as proteínas durante a fabricação, reduzindo sua concentração a níveis permitidos pela legislação. A escolha do método influencia a indicação do produto, especialmente para consumidores com maior sensibilidade.

Para o mercado, o crescimento desse segmento representa uma adaptação às novas demandas do consumidor e uma estratégia de competitividade em um setor tradicionalmente marcado pela inovação incremental. A presença cada vez mais constante das cervejas sem glúten no Brasil mostra que esse nicho deixou de ser exceção e passou a ocupar um espaço relevante na indústria cervejeira.

Tendências como essa, que conectam comportamento do consumidor, inovação e estratégia de mercado, seguem sendo acompanhadas de perto pelo Portal Foodbiz, com análises sobre os impactos no foodservice e na indústria de alimentos e bebidas.

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Fonte: Portal Aqui vale

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