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Por que o conhaque pode ser o próximo queridinho do consumidor brasileiro

Durante muito tempo associado a ocasiões formais e a um consumo mais tradicional, o conhaque começa a ganhar novos significados — e o Brasil está no radar dessa transformação. Com mais de 250 anos de história, a Hennessy, marca da LVMH responsável por 52% de toda a produção mundial da bebida, aposta em mercados emergentes para impulsionar o próximo ciclo de crescimento do destilado.

Em sua primeira visita ao país, Marie Hennessy, embaixadora da Maison Hennessy e representante da nona geração da família, destacou que o consumo do conhaque nunca foi engessado. “Para nós, não existe forma certa ou errada de beber conhaque”, afirmou em conversa com a imprensa. A fala ajuda a entender por que a bebida vem sendo reinterpretada em diferentes culturas — do consumo em shots durante refeições na China ao uso em coquetéis clássicos e contemporâneos nos Estados Unidos e na Europa.

Essa flexibilidade tem sido estratégica em um momento em que o mercado global de destilados passa por ajustes. Nos EUA, por exemplo, a tequila ultrapassou o bourbon como destilado mais consumido nos últimos anos, enquanto o consumo de conhaque enfrenta um período de retração. Ainda assim, o prestígio da bebida permanece forte em mercados como a China, onde rótulos mais envelhecidos seguem associados a status e respeito social.

É justamente nesse cenário que países como o Brasil ganham protagonismo. O crescimento do interesse por produtos premium, aliado à consolidação da coquetelaria e da mixologia, abre espaço para que o conhaque seja explorado além do consumo puro. Clássicos como Sidecar e Horse’s Neck dividem espaço com criações mais contemporâneas e até versões quentes, como combinações com chocolate, chá ou café.

Outro ponto que ajuda a reposicionar a bebida está ligado à experiência sensorial. Segundo a Hennessy, a percepção de que o conhaque é “forte demais” muitas vezes vem do uso inadequado de taças do tipo balão, que concentram o álcool. Copos de vinho ou rocks tendem a oferecer uma degustação mais equilibrada, especialmente para novos consumidores.

Do ponto de vista produtivo, a tradição segue sendo um diferencial. A Hennessy utiliza exclusivamente a uva Ugni Blanc, passa por dupla destilação em alambiques de cobre e envelhece seus eaux-de-vie em barris de carvalho — sem recorrer a técnicas de finish. O resultado é um estoque estimado em cerca de 600 mil barris, incluindo destilados do início do século XX, que permitem à marca manter consistência e complexidade ao longo do tempo.

Para o foodservice brasileiro, esse movimento aponta oportunidades claras: ampliar cartas de bebidas, explorar o conhaque em coquetelaria, harmonizações e até em propostas sazonais. Mais do que resgatar uma bebida clássica, trata-se de apresentar novos contextos de consumo a um público cada vez mais aberto à experimentação.

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Conteúdo originalmente publicado pela Exame

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