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Como empresas nativas plant-based estão moldando o futuro do consumo

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Autenticidade, inovação e propósito são os principais diferenciais das empresas que nasceram 100% vegetais. Mais do que oferecer substitutos, elas vêm transformando a indústria alimentícia e consolidando novos padrões de consumo.

Enquanto grandes marcas adaptam seus portfólios com linhas vegetais, as companhias nativas plant-based carregam em sua essência o compromisso com a sustentabilidade, a saúde e o impacto positivo. Essa origem dá a elas profundidade no conhecimento da cadeia produtiva e maior capacidade de se conectar com consumidores que buscam autenticidade.

O que diferencia as empresas 100% vegetais

Álvaro Gazolla, fundador e diretor comercial da Vida Veg, lembra que inovar não é apenas lançar novos produtos, mas resolver dores reais. “A gente acompanha muito de perto como o varejo, o food service e o consumidor final interagem com a categoria. Isso nos permite criar soluções que tragam praticidade e sabor para todos”, afirma.

Para ele, o fato de a empresa ter nascido plant-based garante um olhar diferenciado: “Não adaptamos linhas já existentes. Construímos soluções do zero, entendendo profundamente as necessidades do consumidor”.

Essa visão é reforçada pela professora Karine Karam, especialista em comportamento do consumidor na ESPM. Segundo ela, essas empresas se destacam por nascerem com propósito claro — e isso reduz a percepção de greenwashing. “Estão voltadas para inovação desde o início, com foco em sabor, textura e nutrição”, diz.

O consumidor como motor de mudança

O crescimento do plant-based acompanha a mudança nos valores de consumo. Para Gazolla, não se trata mais de uma simples escolha de estilo de vida: “É reflexo de consciência e propósito. Jovens e adultos conectados a temas como meio ambiente, aquecimento global e bem-estar animal estão definindo um novo padrão de consumo”.

Karine destaca que os dados confirmam esse movimento: quase 90% dos brasileiros consideram a alimentação sustentável positiva e urgente. “A demanda reprimida mostra o potencial do setor”, afirma.

Por isso, empresas como a Vida Veg investem pesado em P&D, uso de inteligência artificial e testes constantes para aprimorar a experiência de sabor. “Nossa estratégia é antecipar tendências, não esperar elas se tornarem modinha”, reforça Gazolla.

Escala e desafios de produção

Apesar do avanço, a categoria ainda enfrenta barreiras de preço, logística e insumos no Brasil. A saída, segundo Gazolla, é criar parcerias regionais na agricultura e trabalhar junto a redes varejistas e de food service. “Isso nos ajuda a construir demanda e ganhar escala mais rápido”, explica.

Na visão de Karine, a estrutura mais ágil das empresas nativas plant-based garante rapidez em ajustes de produção e maior competitividade frente a grandes indústrias que lidam com processos mais engessados.

O que vem pela frente

A expectativa é que, nos próximos anos, o plant-based deixe de ser visto como uma categoria separada e se torne uma escolha natural na rotina de consumo. “Nosso papel é garantir que daqui a dez anos o consumidor não pense se está comprando algo ‘normal’ ou ‘plant-based’, mas apenas escolha pelo sabor, preço e impacto”, acredita Gazolla.

Karine também projeta expansão: o setor deve ultrapassar a marca de R$ 1 bilhão em vendas no varejo brasileiro em pouco tempo. “Além do impacto econômico, a redução no uso de terra, água e emissões de gases amplia a relevância estratégica da categoria”, completa.





Fonte: Supervarejo

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