Demanda por produtos wellness e fitness força adaptação do varejo alimentar
Para Leandro Rosadas, especialista em gestão de supermercados, a praticidade está diretamente ligada com a nova tendência
A busca para melhorar o bem-estar e, consequentemente, aumentar a qualidade de vida já é um fator de decisão de compra entre os brasileiros. É o que diz o novo estudo da Scanntech em parceria com a McKinsey, responsável também por revelar que entre janeiro e outubro de 2025, as categorias mais impulsionadas no varejo alimentar foram as destinadas para aumentar a energia, promover recuperação muscular e com maior teor de proteínas em sua composição. Para Leandro Rosadas, especialista em gestão de supermercados, o cenário ocorre não só pelos brasileiros desejarem, manter o equilíbrio e uma rotina saudável, mas também por buscarem ter praticidade na sua rotina.
“Antes era comum que os consumidores que buscavam manter uma dieta balanceada, tinham que recorrer a lojas específicas e focadas nos produtos fitness e de wellness. Porém, algo que também tem sido um fator importante para a decisão de compra, é a praticidade. O público não quer mais ter que ir à diferentes estabelecimentos para realizarem a compra da semana ou de mês, a rotina está cada vez mais corrida, então os estabelecimentos que oferecem uma cartela vasta de itens, incluindo os que se enquadram nesse grupo, se destacam dentro do setor”, explica Leandro.
Não à toa, o estudo da Worldpanel by Numerator há um crescimento de categorias ligadas à funcionalidade e ao consumo moderado. As bebidas e iogurtes proteicos, por exemplo, tiveram um salto de 5%, em 2023, para 13% em 2025. Para o especialista em gestão de supermercados, a adaptação nas gôndolas de estabelecimentos será essencial não só para se encaixar no novo perfil brasileiro, mas também para manter o alto faturamento durante o cenário desafiador na economia brasileira.
“É importante o setor se adapte a esse novo foco vindo de uma grande parcela dos consumidores. Essa mudança deve abrir um espaço maior para os produtos que se encaixem melhor em diversas dietas. Além de adicionar uma maior quantidade de shakes e iogurtes proteicos nas prateleiras, é interessante disponibilizar uma quantidade maior de alimentos orgânicos e com baixo teor de gordura saturada, uma maior opção de frutas e verduras no setor de hortifruti. Esses itens devem estar mais presentes em gôndolas, podendo alavancar a venda dos estabelecimentos”, aconselha Leandro.
O profissional ressalta que a mudança não reflete só na alta busca por alimentos mais saudáveis, como impacta também em outras gôndolas de supermercadistas. Isso porque, de acordo com a publicação “Álcool e Saúde dos Brasileiro: Panorama 2025”, 64% dos adultos declararam não beber, um salto em relação aos 55% registrados em 2023, sobretudo entre o público jovem, de 18 a 34 anos. Segundo Leandro, os destilados e outras bebidas alcoólicas possuem um alto ticket médio, principalmente em determinadas épocas do ano, como o Carnaval, que está próximo, e na Copa do Mundo, que acontecerá na metade do ano, o que pode impactar no faturamento de estabelecimentos.
“A disponibilidade vai além dos shakes e outros produtos proteicos, já que uma grande parte do público também está tentando se adaptar. Mesmo que o consumo de bebidas alcóolicas esteja diminuindo, ainda é possível se encaixar no novo perfil, a procura por cervejas zero álcool, como também vinhos e cidras nessa linha, já está passando por um crescimento, e aumentar sua quantidade nas prateleiras é fundamental”, Rosadas recomenda.
Prova disso também é o estudo Worldpanel by Numerator, afirmando que a procura por cervejas sem álcool também passaram por um salto de 2023 para 2025, tendo um crescimento de 10% para 15%. Já a projeção apontada pela International Wine & Spirits Research revela que entre 2024 e 2028, a venda de bebidas sem álcool deve crescer 10% no Brasil.
Fonte: assessoria







