A Dengo, chocolateria brasileira conhecida por sua atuação sustentável e foco em pequenos produtores de cacau, está passando por uma transição importante na liderança. Em março, o então CEO Túlio Landin anunciou sua saída da empresa para assumir um cargo no Mercado Livre. Em vez de nomear um sucessor imediato, o conselho de administração optou por uma abordagem coletiva: criou um comitê de transição liderado por três diretoras – Cintia Moreira (comercial), Luciana Lobo (inovação e chocolatière) e Renata Lamarco (marketing e canais digitais).
A mudança, segundo as executivas, ocorreu de forma tranquila e integrada. “O Túlio falou uma frase que eu achei interessante: ‘Eu vou sair, e vocês não vão perceber porque está todo mundo tão na sintonia’”, contou Renata Lamarco à revista IstoÉ Dinheiro.
Liderança feminina e continuidade estratégica
Com perfis distintos, mas complementares, as três diretoras assumiram o desafio de manter a estratégia construída ao longo de 2024 em pleno andamento, mesmo sem uma figura única no comando. A missão é garantir crescimento, manter o posicionamento premium da marca e reforçar o impacto positivo gerado pela Dengo.
Luciana Lobo, por exemplo, está na empresa desde sua origem, antes mesmo de o nome Dengo existir. Convidada por Guilherme Leal – cofundador da Natura e idealizador da Dengo –, ela ajudou a desenhar o modelo que remunera melhor pequenos produtores familiares em troca de capacitação e melhoria da qualidade do cacau. Atualmente, a marca compra cerca de 30% do cacau do Pará, além da Bahia, expandindo sua base de fornecedores.
Comunicação e expansão com propósito
Renata Lamarco trouxe para a Dengo uma bagagem sólida em marketing de varejo e liderou a ampliação dos investimentos em mídia digital e urbana, o que contribuiu para um crescimento de 36% nas vendas de Páscoa em 2025. Já Cintia Moreira, com três décadas no varejo de luxo, trabalha na construção de um plano robusto de expansão, que combina lojas próprias e franquias.
Hoje, a Dengo conta com 40 lojas próprias no Brasil e duas unidades próprias em Paris. Até 2026, a meta é abrir 13 franquias e, até 2030, atingir a marca de 250 unidades, sempre zelando por uma experiência de consumo alinhada ao posicionamento premium da marca.
Inovação, sustentabilidade e futuro
Mesmo diante do cenário desafiador imposto pela alta de mais de 170% no preço do cacau em 2024, a empresa optou por não repassar os custos ao consumidor. Em vez disso, tem apostado em eficiência tecnológica e preservado os bônus pagos a produtores – que chegam a representar 107% da renda média das famílias fornecedoras.
A sustentabilidade segue como pilar estratégico. Apenas 8% das embalagens da marca usam plástico, e os ingredientes dos chocolates são todos brasileiros. A Dengo acredita que seu diferencial está em unir sabor, impacto e responsabilidade: “O mundo tem muitas marcas de chocolate. Ou você agrega valor com impacto social e ambiental, ou não precisa existir”, afirma Renata Lamarco.
E o próximo CEO?
Enquanto o trio lidera a operação, o conselho – presidido por Guilherme Leal – conduz um processo cuidadoso para encontrar um novo CEO. A busca é por alguém que una sintonia com os valores da empresa e experiência comprovada em expansão de negócios. Até lá, a liderança compartilhada segue conduzindo a Dengo com o mesmo propósito que a tornou referência em inovação no setor de chocolates no Brasil.
Fonte: IstoÉDinheiro







