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O mercado bilionário da hidratação com eletrólitos

FREEPIK

A hidratação ganhou novos contornos nos últimos anos. Esqueça a ideia de que apenas água basta: a tendência agora é reidratar o corpo com precisão — e isso inclui a reposição de eletrólitos, minerais essenciais como sódio, potássio e magnésio, que regulam a função muscular, a pressão arterial e o equilíbrio hídrico.

Esse movimento vem impulsionando um mercado robusto. Segundo a consultoria Global Market Insights, o segmento global de repositores de eletrólitos movimentou US$ 38,3 bilhões em 2024. As projeções indicam que esse número pode saltar para US$ 66,6 bilhões até 2034, com um crescimento anual composto de 5,6%.

Esse avanço é motivado por fatores como o aumento da prática de atividades físicas, a busca por bebidas funcionais e uma maior consciência sobre os impactos da hidratação no bem-estar. Originalmente voltados para atletas de alta performance — como os jogadores de futebol americano que inspiraram o desenvolvimento do Gatorade nos anos 1960 —, os eletrólitos se expandiram para públicos diversos e agora fazem parte do guarda-chuva da indústria de wellness.

De produto esportivo a aliado do bem-estar

Nos Estados Unidos, o consumo de eletrólitos já está consolidado: o crescimento do setor foi de 20% apenas em 2024, totalizando US$ 1,5 bilhão. Um dos principais nomes desse mercado é a Liquid I.V., marca adquirida pela Unilever em 2020 e que se tornou referência global, com presença inclusive no Brasil.

Por aqui, o movimento ainda é recente. Mas já começa a ganhar tração. Um dos exemplos é a startup Liquidz, lançada em 2024 pelos empreendedores Octavio Domit, Victório Braccialli Neto e Arthur Larsen Machado. Os sachês da marca, vendidos por R$ 7,50 a unidade, oferecem 600 mg de eletrólitos — a mesma quantidade que um adulto perde após uma hora de exercício intenso. Os produtos não têm açúcar nem corantes, e são feitos com ingredientes orgânicos.

A inspiração para o negócio veio de uma experiência pessoal de Octavio, triatleta e estudioso de nutrição. Mesmo bebendo cerca de quatro litros de água por dia, ele enfrentava cansaço extremo, insônia e ansiedade. O diagnóstico: desidratação. Foi quando descobriu que a água, sozinha, não estava sendo suficiente — era preciso repor os minerais perdidos.

A ciência por trás da hidratação inteligente

Nosso corpo é composto por cerca de 70% de água e conta com mais de 600 músculos. Mesmo em atividades leves, há perda contínua de minerais essenciais. Se a água não for acompanhada da reposição adequada de eletrólitos, pode diluí-los ainda mais, dificultando seu papel biológico e gerando um quadro paradoxal de desidratação.

“Quando os músculos se ativam, eles consomem água e eliminam eletrólitos como sódio, potássio e magnésio”, explica o educador físico e nutricionista Isaias Rodrigues. Segundo ele, o uso desses suplementos pode melhorar a performance e o bem-estar, desde que consumidos com moderação e no momento certo. O excesso, por outro lado, pode causar desconfortos como estufamento gástrico ou aumento calórico indesejado.

Além de ajudar na absorção de água pelas células, os eletrólitos também atuam na condução dos impulsos elétricos do corpo, no reparo de tecidos e no controle da pressão arterial. Eles são, portanto, essenciais para a saúde de qualquer pessoa — e não apenas de atletas.

Oportunidade para o foodservice

O avanço da hidratação funcional cria oportunidades diretas para o setor de foodservice. Cafeterias, academias, redes de alimentação saudável e até restaurantes premium podem incluir opções com eletrólitos no cardápio, seja como bebidas prontas ou soluções personalizadas para diferentes perfis de consumidores.

Com um público cada vez mais interessado em bem-estar e autocuidado, produtos que entregam mais do que sabor — como é o caso dos hidratantes com eletrólitos — ganham espaço e relevância. E quem souber aproveitar essa tendência desde já pode sair na frente.



Fonte: Neofeed

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