FoodBiz

Reino Unido aposta na biotecnologia para alimentos sustentáveis

divulgação

O governo britânico lançou seu novo Plano do Setor Digital e de Tecnologia, inserido dentro de uma Estratégia Industrial mais ampla, que reconhece a biologia da engenharia como uma das tecnologias de ponta para o futuro do país. Entre as iniciativas, destaca-se um robusto investimento de £ 184 milhões na construção e modernização de instalações para biotecnologia, com foco especial em aplicações sustentáveis.

Esse movimento estratégico abre espaço para transformações profundas no setor de alimentos e bebidas. Tecnologias como fermentação de precisão, agricultura celular — incluindo carne e frutos do mar cultivados em laboratório — e bioengenharia de plantas ganham protagonismo. São inovações que prometem não apenas diversificar o que comemos, mas também reduzir o impacto ambiental da produção de alimentos.

Para fomentar esse ecossistema inovador, o Reino Unido está destinando até £ 2,8 bilhões nos próximos cinco anos à manufatura avançada e à pesquisa e desenvolvimento (P&D). Parte desse montante — £ 196 milhões — será direcionada ao novo Programa Nacional de Biologia de Engenharia, que financiará projetos liderados por cientistas e pesquisadores.

No campo alimentar, o plano setorial também contempla melhorias na genética e no melhoramento de culturas como ervilhas e favas, valorizando fontes de proteína vegetal cultivadas localmente. Com a nova Lei de Tecnologia Genética (2023), o país passa a contar com um marco regulatório que favorece o lançamento de produtos geneticamente aprimorados com mais precisão, incentivando inovação e atraindo investimentos em tecnologia agrícola.

Além disso, o governo britânico quer fortalecer redes de inovação, apoiando parcerias entre pesquisadores, startups e grandes empresas. Um dos destaques do plano é a futura regulamentação da carne cultivada, liderada pela Agência de Normas Alimentares — um passo que pode colocar o Reino Unido na vanguarda europeia dessa nova fronteira alimentar.

Um exemplo citado é a startup londrina Multus, especializada em carne cultivada, que representa os crescentes polos regionais de excelência em biotecnologia. Segundo o Good Food Institute Europe (GFI Europe), essas tecnologias podem adicionar £ 6,8 bilhões à economia britânica e gerar 25 mil empregos até 2035 — desde que acompanhadas por marcos regulatórios claros e investimentos públicos consistentes.

Para o GFI, a infraestrutura ainda é um dos principais gargalos para que a pesquisa se transforme em produtos de mercado. Linus Pardoe, gerente de políticas do instituto, avalia positivamente o novo plano do governo e acredita que o Reino Unido tem potencial para liderar o desenvolvimento de proteínas alternativas. As iniciativas anunciadas prometem abrir caminho para uma cadeia alimentar mais inovadora, segura e resiliente.



Fonte: Food Bev

Compartilhar